sábado, 20 de dezembro de 2025

Prasinoversos - As esferas de Felipe Prasino (2025). Obs:. 20° livro de Felipe Prasino.

Cor: Oliva


Símbolo matemático: conjunto universo


Temas: Discrições, educações, indefinições, descontentamentos, repousos, decorrências, conciliações, ofícios, técnicas, aversões, autonomias, contrassensos


Data aproximada de escrita: outubro, novembro e dezembro de 2025


1. Prasinoverso 1 (Universos reservados)


Ambientes que não são conhecidos publicamente

Ambientes que requerem contatos graduais

Universos reservados trazem sutilezas instrutivas

Universos reservados se escondem dos telescópicos usuais


Indíviduos que não são incluídos totalmente

Indivíduos que expelem formatos eventuais

Universos reservados levam defesas sucessivas

Universos reservados se consomem dos microscópios manuais


Prasinoverso 1

(Universos reservados)


Imagina ser reservado em um universo que expõe?

Expõe a fraqueza sem o sustento universal

Imagina ser reservado em um universo que degrada

Degrada a leveza sem o cortejo universal


Imagina ser reservado em um universo que zomba?

Zomba a diferença sem o desvelo universal

Imaginado ser reservado em um universo que tolhe

Tolhe a presença sem o método universal


Prasinoverso 1

(Universos reservados)


Universos reservados

Finalmente vocês terão um espaço conforme as suas intenções

Universos reservados

Finalmente vocês terão um portfólio conforme as suas formações


Prasinoverso 1

(Universos reservados)


2. Prasinoverso 2 (Universos educativos)


A sala, o aposento onde estudo

A caixa onde guardo livros, culturas

O intelecto onde conecto redações


A dúvida, a lista onde localizo

A atmosfera onde deixo noções, elementos

O relógio onde constato variações


Prasinoverso 2

(Universos educativos)


Universos educativos

Fortes com diversas abordagens

Fortes revistos continuamente


Universos educativos

Fortes com precisas engrenagens

Fortes sondados intensamente


Prasinoverso 2

(Universos educativos)


Educação, enquanto forte, instiga

Acompanhamos as demandas acordadas?

Por que esse forte foi limitado?


Educação, enquanto forte, opta

Acompanhamos as opções priorizadas?

Por que esse forte foi adiado?


Prasinoverso 2

(Universos educativos)


Discutir as disciplinas práticas, metafísicas

Currículos respeitáveis, abrangentes

Educar, função do forte informado


Discutir os sistemas terrestres, planetários

Palestras alinhadas, necessárias

Educar, função do forte dedicado


Prasinoverso 2

(Universos educativos)


Oportunidades produzidas pela erudição

Fortes sem distinções classistas

O treinamento sem privilégios étnicos


Prasinoverso 2

(Universos educativos)


3. Prasinoverso 3 (Universos indefinidos)


Acertos em meios pragmáticos?

Espera a distinta aclamação?


Por que tudo pressupõe definição?

Constrange ter múltiplas realidades?

Territórios disponíveis para realçar

Riscos de um repertório democrático


Prasinoverso 3

(Universos indefinidos)


Virtudes em meios dogmáticos?

Espera a ignota rejeição?


Por que tudo pressupõe definição?

Constrange ter severos raciocínios?

Territórios fechados para revogar

Riscos de uma oposição dominadora


Prasinoverso 3

(Universos indefinidos)


A experiência não demonstra hostilidade?

O que é contrário não é golpeado?


Universos indefinidos

Porventura a definição acolhe ou exclui?

Definir leva à hierarquias, etnocentrismos

Categorias têm usos dubitáveis


Prasinoverso 3

(Universos indefinidos)


A experiência não demonstra atrevimento?

Algo que é legítimo não é ultrajado?


Universos indefinidos

Porventura a definição basta ou aflige?

Definir leva à anacronias, individualismos

Categorias têm usos reprováveis


Prasinoverso 3

(Universos indefinidos)


Alheios aos verbetes, enciclopédias

Apreciadores das mentes contemplativas

Risonhos dos modelos recentes,

Cientes quanto às tentativas de nomeá-los


Prasinoverso 3

(Universos indefinidos)


4. Prasinoverso 4 (Universos descontentes)


Acordar e ver o mesmo sendo vivido

Desânimo que carrega fraqueza

Mesmice impeditiva da transcendêcia

Limpeza feita nos trechos saudáveis

Corrida que almeja empecilho


Criticar e ter o mesmo sendo vendido

Aparelho que propaga aversão

Chatice acolhedora da intolerância

Bagunça solta nos frutos singulares

Estupidez que reusa covardia


Prasinoverso 4

(Universos descontentes)


Inconveniência de uma mentira aprovada

A carreira edificada em solos instáveis

Cobiça vinculada aos segmentos vaidosos

Aplicações reservadas para opulentos

Emancipação obstada por monopólios


Alfabetização de uma apatia fundada

A conversa retalhada em motes nublosos

Rudimento aliado aos triunfos monetários

Brigas indicadas para miseráveis

Estagnação desejada por instituições


Prasinoverso 4

(Universos descontentes)


Universos descontentes

Quem tem se aproxima da falta?

Há estratos que não têm quantias

Descontentes antecipam, habilitados

Equilíbrio afugenta informes figurativos


Universos descontentes

Quem manda se desliga da estima?

Há estratos que não têm opções

Descontentes participam, coerentes

Simpatia invoca chances adequadas


Prasinoverso 4

(Universos descontentes)


Modificações, órbitas esmiuçadas

Satisfação sendo o desafio respeitado

Rebeliões nos retiros explorados

Temperamentos que sofrem menosprezo

Contentar excede os códigos instaurados


Modificações, órbitas negociadas

Admiração sendo o impulso declarado 

Negócios nos imóveis amurados

Acontecimentos que denotam excesso

Contentar diminui os acúmulos herdados


Prasinoverso 4

(Universos descontentes)


5. Prasinoverso 5 (Universos repousantes)


Sonos, brechas no espaço-tempo

Fazer pouco, com critério, traz sugestão

Postulam rendimentos ultra-humanos

Esgostar é crime na etapa industrial

Respiros, ciscos no bem-estar

Deixar pronto, com sufoco, traz moléstia

Inflamam controvérsias anti-históricas

Respaldar é ambigo no cenário oscilante


Sonos, flechas no mapa-múndi

Manter renome, com clareza, traz afinco

Resgatam despesas infra-sonoras

Contornar é prova no estado ruinoso

Respiros, riscos no padrão-ouro

Impelir sorriso, com ênfase, traz rancor

Balançam pressupostos pró-fanáticos

Abrandar é desculpa no restauro previsto


Prasinoverso 5

(Universos repousantes)


Universos repousantes

Melhorias nos ofícios regulares

Remédios convenientes aos agravos

Cismas suspendidas, há exemplos

Lentidão encontra objetos incomuns

Provisões eficazes, primordiais


Universos repousantes

Passeios nas notícias prósperas

Alvitres proveitosos aos surtos

Pressas rescindidas, há agasalhos

Condução organiza estímulos gentis

Recisões honestas, decifradas


Prasinoverso 5

(Universos repousantes)


Repousos deslocam meteoros temidos

Estresses desintegrados por intervalos

Gravidades calibradas no intangível

Alívios revigoram talhes reclinados

Decências de uma postura selecionada

Índoles autênticas em circuitos rutilantes


Prasinoverso 5

(Universos repousantes)


6. Prasinoverso 6 (Universos decorrentes)


Gerir, saída agora impensável

Impropérios embelezando valas

Litigar patifarias, o limo do pântano


Medir, luz outrora antipática

Parasitas distanciando pencas

Relaxar alcances, o farol da sentinela


Prasinoverso 6

(Universos decorrentes)


Produtos revoltos no estoque da convicção

Motores inoperantes devido à ferrugem

Desvario usual assevera fraude


Visitas exatas na estadia do infortúnio

Mobílias dinâmicas todavia o rebuliço

Bonança perene enfatiza penúria


Prasinoverso 6

(Universos decorrentes)


Universos decorrentes

Aguaceiro previsto aos navegadores

Desembarque trabalhoso, degraus bambos


Universos decorrentes

Insolação trazida aos caminhantes

Vestimenta misturada, fibras fictícias


Prasinoverso 6

(Universos decorrentes)


Causa e efeito

Registro das contas alheias

Crença no princípio multisetorial


Ação e reação

Nexo dos corpos físicos 

Coluna na percepção científica


Prasinoverso 6

(Universos decorrentes)


Decorrência não instala punição

Inteirar-se de si estraçalha tramoias

Adequação das condutas abrevia lástimas


Prasinoverso 6

(Universos decorrentes)


7. Prasinoverso 7 (Universos conciliadores)


Âmago, atributo perdurável!

Carcaça, apetrecho coercível!


Diligência secundada!

Secundada por pacifistas!

Absorver seres nas declarações

Conchas dos impasses prorrogados


Prasinoverso 7

(Universos conciliadores)


Coldre, ornato temerável!

Ética, construto agitável!


Diligência alvoroçada!

Alvoroçada por formalistas!

Inscrever hastes nos armísticios

Pompas dos sacríficios celebrados


Prasinoverso 7

(Universos conciliadores)


Jugo, atividade implacável!

Pleito, ocasião associável!


Burocracia desfalcada!

Desfalcada por reformadores!

Englobar garantias nas disposições

Regaços das euforias congeladas


Prasinoverso 7

(Universos conciliadores)


Devastação, malefício inadiável!

Alimento, débito flutuável!


Burocracia avolumada!

Avolumada por embromadores!

Confinar requisitos nos formulários

Bagaços das maneiras professadas


Prasinoverso 7

(Universos conciliadores)


Universos conciliadores

Tranquilos, remontando divertimento

Estorvando a rivalidade encorajada

Desobrigados ao extermínio insinuante


Prasinoverso 7

(Universos conciliadores)


8. Prasinoverso 8 (Universos laboriosos)


Lavorar, limas aguçadas nas enxadas

Inundações incorrigíveis, calculáveis

Eleger grãos mesclados em fendas

Carriolas com pedras surpreendentes

Entravar misérias robustas, arraigadas


Lavorar, glebas encravadas nos arados 

Irrigações irreprimíveis, postergáveis

Redigir hortas ordenadas em ciclos

Cavadeiras com detritos proeminentes

Debelar domínios obsoletos, execrados


Prasinoverso 8

(Universos laboriosos)


Alongar, intervenção estouvada

Fôlego se adquire cogitando

Tremer por mixaria, trapaça

Gaiolas soldadas no egoísmo

Replicar gentilezas silenciosas


Alongar, insurreição retornada

Moleza se desfaz treinando

Bramir por encargo, piedade

Martelos atirados na imperícia

Ressecar grosserias duvidosas


Prasiniverso 8

(Universos laboriosos)


Alegação dos calendários extenuantes

Evidentes folgas citadas nas escalas

Expectativas de uma camada maleável

Substanciar correções sobre contribuições

Escárnios avaliados por julgadores


Mitigação das leviandades sobrepostas

Pacientes dicas ilustradas nas diárias

Progressos de uma plataforma assertiva

Reconsiderar enfoques sobre vencimentos

Parceiros solicitados por executores


Prasinoverso 8

(Universos laboriosos)


Universos laboriosos

Escambo reapresentado por vasculhadores

Potes de condimentos escassos

Agregar semeaduras para emergências

Artesanatos obstinados nos agrupamentos


Universos laboriosos

Comércio sedimentado por especuladores

Latas de guloseimas acessíveis

Contratar especialistas para agilidades

Maquinários planejados nos insulamentos


Prasinoverso 8

(Universos laboriosos)


9. Prasinoverso 9 (Universos artísticos)


Universos artísticos

Palcos arrostados no espetáculo

Átrios esquivados na balbúrdia

Lixadeiras pedregosas no caibro

Esmaltes inconsistentes no cesto

Costuras disparatadas no biombo

Ilhoses enferrujados no vestuário

Argilas grudadas no retoque


Universos artísticos

Taças idolatradas no mostruário 

Ânforas recoloridas na curadoria

Cavaletes atarrantados na paleta

Espátulas espatifadas na massa

Serrotes deteriorados na madeira

Imersões interditadas na tertúlia

Alicates relaxados na montagem


Prasinoverso 9

(Universos artísticos)


Abóbodas cautelosas, duradouras

Monumentos espaçados nas naves

Artifícios reproduzidos por escolas

Apertos renitentes, prestimosos

Estiagens perplexas nos dilemas

Labaredas sucintas por epifanias


Abóbodas audaciosas, nascedoras

Firmamentos comparados nas telas

Solstícios pressentidos por sombras

Lufadas dissidentes, caprichosas

Temporais complexos nos dramas

Orvalhos distintos por melodias


Prasinoverso 9

(Universos artísticos)


Películas amassadas nas conservações

Relatos realocados nos descobrimentos

Pavilhões imobilizados nas anexações

Entalhes enublados nos procedimentos

Partituras acanhadas nas convenções

Afrescos desbotados nos equipamentos


Prasinoverso 9

(Universos artísticos)


10. Prasinoverso 10 (Universos descontentes)


Bulas, cartilhas limpadas

Eventos, estágios defasados

Deduções, reticências inatacáveis


Confortos, arrimos impertubáveis

Vantagens, honrarias arrematadas

Testamentos, túmulos reverenciados


Prasinoverso 10

(Universos detestáveis)


Detestáveis precavidos

Precavidos às hipóteses superficiais

Óbices solucionados arredam submissões


Detestáveis convertidos

Convertidos às exibições unilaterais

Bilhetes deturpados avultam retaliações


Prasinoverso 10

(Universos detestáveis)


Universos detestáveis

Ousar escancara inconsistências

Lâmpadas não focalizam armadilhas


Universos detestáveis

Apurar desencanta complacências

Bibliotecas não anunciam repreensões


Prasinoverso 10

(Universos detestáveis)


Insuficiências das atuações usufruídas

Motins parcelados nos equívocos

Sumiços dispersados por intelectuais


Abundâncias das anotações transferidas

Motejos aglutinados nos pendores

Vindas demarcadas por lideranças


Prasinoverso 10

(Universos detestáveis)


Fomentar ideais desmascara presunçosos

Oportunizar pecúlios oferece integridade

Assimilar alternativas boicota tiranias


Prasinoverso 10

(Universos detestáveis)


11. Prasinoverso 11 (Universos autônomos)


Antagonismos em artigos anelados

Favoritismos em fábricas forjadas


Universos autônomos

Caráter apreensivo com arroubos

Diálogos retomam simulações

Entrever granjeia brutalidade


Prasinoverso 11

(Universos autônomos)


Graciosidades quando gratificações urgem

Debilidades quando deferências fenecem


Universos autônomos

Lucidez agastada com artimanhas

Charadas poupam abstenções

Entreter consome vitalidade


Prasinoverso 11

(Universos autônomos)


Altruísmos conduzidos por insurgentes

Pedantismos obedecidos por ignóbeis


Escadas aplainadas durante trajetos

Cosmovisões flexíveis calibram corrimões

Encomendar adereços representativos

Fornecer parafusos eficientes


Prasinoverso 11

(Universos autônomos)


Notoriedades com os desempenhos feitos 

Seriedades com as incumbências emersas


Escadas lustradas durante êxitos

Premissas viáveis propiciam patamares

Recuperar pigmentos comemorativos

Enaltecer texturas resilientes


Prasinoverso 11

(Universos autônomos)


Expor é recorrente para espontâneos

Disfarçes afagam contrariedades arcaicas

Tenacidades insuflam catarses gradativas

Encolher é convincente para requintados


Prasinoverso 11

(Universos autônomos)


12. Prasinoverso 12 (Universos discrepantes)


Afrouxamentos, sedentários rutilantes

Cargos não atestando inclinações

Indícios anexados embora resmas

Convênios maléficos, fruidores habituados

Recontagens das peripécias prenunciadas


Afrouxamentos, empresários delirantes

Ditames não refutando imprecisões

Recibos minuciados consoante rasuras

Quinhões infames, liquidantes combinados

Reciclagens dos protocolos provisórios


Prasinoverso 12

(Universos discrepantes)


Universos discrepantes

Recepções notificam, eclipsam

Idiomas designados por ministérios

Subverter e socorrer principiantes

Cercar jazidas desativadas


Universos discrepantes

Redenções ratificam, abdicam

Sintomas trucidados por infantarias

Diminuir e difundir recalcitrantes

Reaver bandejas depauperadas


Prasinoverso 12

(Universos discrepantes)


Introduzir compostura aborrece leigos

Suster adulterando sinopses Probabilidades vetadas por facínoras

Sorteios inoperantes, entediantes

Checar experimentos emaranhados


Imprimir perspectiva emaranha doutos

Galgar aguentando lorotas

Prodigalidades adotadas por canalhas

Rateios dissonantes, espoliantes

Coser encantamentos estilhaçados


Prasinoverso 12

(Universos discrepantes)


Colisões, arrependimentos sem recessos

Cobrar retidão encadeia enfurecimentos

Tubulações incrustadas por enroladores

Acautelar afirmações atulham armários

Bravatas dissimuladas nos almanaques


Colisões, destronamentos sem regalias

Calçar buraco endossa extravasamentos

Dissoluções irrelevadas por expositores

Estarrecer expulsões enervam epígonos

Cascatas importunadas nas excursões


Prasinoverso 12

(Universos discrepantes)


É proibida a reprodução desta obra sem a devida citação/menção do autor.


Todos os direitos reservados.



Recortes das gerações - As famílias de Felipe Prasino (2025). Obs:. 19° livro de Felipe Prasino.

Cor: Lavanda


Símbolo matemático: ângulo


Temas: Resumos, sonhos, saudosismo, estimativas, trabalhos, farsas, juventude, paradigmas, ancestrais, conflitos geracionais, maturidade, recortes, gerações


Data aproximada de escrita: julho, agosto e setembro de 2025


1. Resumo dos últimos milhões de anos


Morreram muitos

Camuflar é perda de tempo

Tô tentando entender essa transição

Sentindo a continuidade das questões


Viveram muitos

Lamentar é falta de saber

Tô tentando convergir essa distinção

Recusando a incompreensão dos fatos


Resumo dos últimos milhões de anos


Guerras, doenças, ciclos, lutos

Nascimentos, mortes, sumiços

Divergências originadas além-século


Matérias, sortes, apuros, curas

Excessos, conselhos, lançamentos

Acordos recomendados além-povo


Resumo dos últimos milhões de anos

Linhagens contestadas

Costumes destroçados

Épocas mal esmiuçadas


Vegetações derrubadas

Territórios inacabados

Promessas mal apreciadas


Resumo dos últimos milhões de anos


Uma só geração mudará tudo?

Onde está o empenho coletivo?

Se as questões não impelem a expectativa


Uma só resposta colará tudo?

Onde está o trecho pessoal?

Se os enlaces abatem a identidade


Resumo dos últimos milhões de anos


Voltas e voltas não resolveram

Almas, jogos, obstáculos

Recintos frequentes

Os convites exaustivos


Tréguas e tréguas não acolheram 

Lojas, cortinas, atrações

Dívidas inabaláveis

Os sentidos corrompidos


Resumo dos últimos milhões de anos


2. Três tempos dos sonhos


Descanso, ajusto

Resido, subsisto

Fantasio, retenho


Transmiti, acolhi

Atravessei, encontrei

Experimentei, deparei


Instigarei, gostarei

Consultarei, avisarei

Esquecerei, incomodarei


Tempo do passado

O não compreendido

Evento que não era interessante


Tempo do presente

O não aprofundado

Período que não é sistêmico


Tempo do futuro

O não renomado

Cosmo que não será enfadonho


Três tempos dos sonhos

O sonho como oportunidade de pertencer

O sonho como meio para sentir alegria


Três tempos dos sonhos

O sonho como medicamento para alma

O sonho como região de pertencimento


Três tempos dos sonhos

O sonho como filtro de conteúdo

O sonho como treino para a resposta


Conjunto de exposições simbólicas

O abstrato como eixo de testemunho

O abstrato como influência para a questão


Conjunto de ventanias singulares

O abstrato como defesa para a escolha

O abstrato como registro de sentimento


Conjunto de nascentes invisíveis

O abstrato como índicio de jornada

O abstrato como lanterna para a tragédia


3. Para com saudosismo


Para com saudosismo

Você não existe mais, eu também não

Se é que um dia existimos aqui


Para com saudosismo

Você não sente mais, eu também não

Se é que um dia sentimos aqui


Para com saudosismo


Se antigamente era bom por que hoje não é?

O não resolvido se acumulou, percebe?


Se hoje tudo está perdido porque antes não estava?

O não criticado se estagnou, despede?


Para com saudosismo


Se viveu, viveu

Se sentiu, sentiu

Não simule algo que não é possível resgatar

Não crie entraves as novas formas de viver, sentir


Se as famílias mudaram, mudaram

Se as culturas difundiram, difundiram

Não discuta ação que não é prudente enraizar

Não receba as antigas violências de reter, fingir


Para com saudosismo


Esse recado também vale para mim

O que sou hoje não cabe no passado

Não fiz porque não podia fazer

Me delatar não revoga os agravos


Esse recado também vale para mim

O que fui não restringe o presente

Não cri porque não podia crer

Me isentar não silencia os óbices


Para com saudosismo


4. O que não entrevi nas eras


Minhas questões não são as suas

Minhas bandeiras não são as suas

Caso espere sua sensibilidade

Caso espere seu incômodo

Fatigo e não vejo resultados


Meus recortes não são os seus

Meus inimigos não são os seus

Caso espere seu engajamento

Caso espere sua piedade

Padeço e não vejo consertos


O que não entrevi nas eras


Fatiguei por que não me guardaram

Padeci por que não me ergueram

Questões e bandeiras me alvejaram

Recortes e inimigos me deteram


Algo acontecia sem a minha atenção

Algo permanecia sem a minha oposição

Trocaram intérpretes, não os exemplos

Incluíram cerimônias, não os princípios


O que não entrevi nas eras


Presumi a aprovação alheia

Localizei a superfície interna

Agradeci a desgraça erigida


Consumi o disparate festajado

Realizei o impulso comunitário

Abrangi o estrado equivocado


O que não entrevi nas eras


Renúncia do âmago

Desdém do extravio


Repulsa do encargo

Desdita do atraso


O que não entrevi nas eras


5. Ocupações e trabalhos repassados


Considerei vocês?

Me consideraram?

Devoramos milênios


A situação foi encerrada?

Tarefas impedidas


Ocupações e trabalhos repassados


Ultrapassei vocês

Me ultrapassaram?

Dispensamos repousos


A gentileza foi elaborada?

Inércias promovidas


Ocupações e trabalhos repassados


O dever era compartilhado?

A necessidade não existia, não era divisada

A cósmica forma de entender o todo

Habitar e gerir em prol da comunidade


A divisão foi instalada?

A classe foi composta, era orgulhosa

A avarenta forma de repartir o todo

Sobreviver e laborar em prol da moeda


Ocupações e trabalhos repassados


A carência foi constatada?

A fome foi exposta, era deplorável

A mecânica forma de explorar o todo

Consumir e fabricar em prol do juro


O debate foi alastrado?

A elite foi afrontosa, era covarde

A dedicada forma de valorizar o todo

Assegurar e correr em prol da humanidade


Ocupações e trabalhos repassados


Antes da língua ser ordenada, nós trabalhamos, nos ocupamos

Antes do serviço ser fracionado, nós trabalhamos, nos ocupamos


Ocupações e trabalhos repassados


Depois da riqueza ser agrupada, nós trabalhamos, nos ocupamos

Depois do sistema ser refutado, nós trabalhamos, nos ocupamos


Ocupações e trabalhos repassados


6. Farsas preferidas


"Não mude isto, se acomode"

"Vai reinventar tudo"?

"Não questione, cumpra"

"Vão te maldizer, silencie"


"É desse jeito, se acostume"

"Vai provocar todos"?

"Não suplique, transija"

"Vão te convencer, recebe"


Farsas preferidas


Despenquei

Qual ser não despencou?

Repetir as mesmas farsas

As farsas preferidas

Acreditando na retirada da angústia


Devastei

Qual ser não devastou?

Impelir as mesmas farsas

As farsas preferidas

Acreditando na investida da calmaria


Farsas preferidas


Descrevem, enfadam

Onde afirmam suas farsas preferidas?

Garantem, arrastam?

Onde exibem suas farsas preferidas?


Prometem, burlam

Onde acirram suas farsas preferidas?

Resistem, deliram

Onde esvaem suas farsas preferidas?


Farsas preferidas


As farsas atraem gerações

Deduzam as práticas coroadas


As farsas privam gerações

Deduzam as criações adiadas


Farsas preferidas


7. Primeira Juventude


Descobre e se empolga

Expõe e se assusta

Planeja e se prejudica

Já sintetizou a juventude?


Fascina e se amofina

Produz e se zanga

Aplaude e se insurge

Já sintetizou a juventude?


Primeira Juventude


Quem tem mais de duas décadas recorda

Recorda diversão, richa, cemitério

Recorda até os adágios populares


Quem tem mais de duas décadas acumula

Acumula trauma, receita, antipatia

Acumula até as manias familiares


Primeira Juventude


A primeira parte da juventude

Emprego, casamento, formação

Separação, planejamento familiar

Religião, eventos sociais, parceria


A primeira parte da juventude

Traição, delonga, velocidade

Demanda, condição financeira

Propósito, desvios naturais, arrojo


Primeira juventude


Juventude acusada de estragar

Uma única geração estragaria as bases?

Acaso as outras gerações preservaram?


Juventude incumbida de explanar

Uma única geração explanaria as lides?

Acaso as outras gerações complicaram?


Primeira Juventude


A imudável juventude

A variável juventude


A intrometida juventude

A restringida juventude


Primeira Juventude


8. Esse paradigma da estupidez eu não valido!


Ficar com o mesmo corpo pra sempre?

Andar no mesmo ritmo pra sempre?

Tem que burilar alguma coisa, né?

Até o planeta burilou nas diversas épocas


Dormir com o mesmo juízo pra sempre?

Bramir no mesmo discurso pra sempre?

Tem que pesquisar alguma coisa, né?

Até o universo sondou nos diversos globos


Esse paradigma da estupidez eu não valido!


Em uma praça que não era distante

Discutíamos, falávamos

A necessidade humana por aprendizado era considerada normal


Em uma redoma que é próxima

Classificamos, orquestramos

A inutilidade humana por comodismo é considerada ideal


Esse paradigma da estupidez eu não valido!


O paradigma muda, não vou contestar esse fato

Todo dia saúdam um paradigma

Mas com tanto paradigma, proveram esse?


O paradigma desce, eu vou reforçar esse fato

Todo dia sepultam um paradigma

Mas com tanto paradigma, reteram esse?


Esse paradigma da estupidez eu não valido!


Foco no cosmo, foco em Deus

Foco no ser humano, foco na ciência

Foco na natureza, foco na diversidade

Todos esses paradigmas têm suporte

Mas não o calamitoso paradigma da estupidez


Foco no país, foco em pedaço

Foco no egoísmo, foco no patrimônio

Foco na simulação, foco na linhagem

Todo esse paradigma tem dissenso

Sim, o impulsionado paradigma da estupidez


Esse paradigma da estupidez eu não valido!


9. Escorreguei mais que meus ancestrais


Escorreguei mais que meus ancestrais

Eles escorregaram, mas não tiveram o cascalho para se firmarem

Eu, com jazida, escorreguei mais que eles


Escorreguei mais que meus ancestrais

Eles escorregaram, mas não tiveram o casaco para se vedarem

Eu, com moda, escorreguei mais que eles


Escorreguei mais que meus ancestrais


Dizia que não escorregaria desse modo

Escorregaram em algo tão evidente

Evidente pra quem?


Sentenciava as escorregadas deles

Escorregaram em algo tão corriqueiro

Corriqueiro pra quem?


Escorreguei mais que meus ancestrais


Meus ancestrais não tiveram recursos

Máquina, terraplanagem, pavimento

Passarela, alicerce, escritura

Isso era custoso numa regra de escassez


Os atuais têm e terão mais recursos

Domicílio, sondagem, veículo

Projeto, gráfico, distribuição

Isso é digno num dever de abundância


Escorreguei mais que meus ancestrais


Ancestrais, você não acessaram o estudo metodizado

Mas seus descendentes acessarão!


Ancestrais, você não recolheram o conforto labutado

Mas seus descendentes recolherão!


Escorreguei mais que meus ancestrais


10. Conflitos entre gerações


"A coisa só complica"

"Esquece o passado, tudo é moderno"

"A falta de respeito, algo que não existia"

"Esquece essa ideia"


"Ninguém pergunta o que quero"

"Falta a disciplina"

"Escolha é valiosa"

"Ninguém falava nesse assunto"


Conflitos entre gerações


O mundo esteve repleto de gerações

Uma querendo substituir a outra

Viu a arte, ciência, religião, política?

A questão era desmerecer a antecessora


O mundo estará cansado de gerações

Uma querendo suprimir a outra

Verá o esporte, plantio, croqui, idioma

A questão será remendar a antecessora


Conflitos entre gerações


Rotulações para as gerações não faltam

Mas essas rotulações representam as gerações?


Intervenções para as gerações não faltam

Mas essas intervenções menosprezam as gerações?


Conflitos entre gerações


Definiram uma geração em vinte anos, mais ou menos

Entretanto, quantas estruturas são trocadas em dois decênios frenéticos?

Uma geração não consegue assimilar as numerosas atitudes


Dilataram uma espécie em sete gerações, mais ou menos

Entretanto, quantas simetrias são notadas em duas gerações próximas?

Duas gerações não conseguem embaraçar os indivisíveis atributos


Conflitos entre gerações


11. Maturidade tem acepção única?


Maturidade

Predicado que estamos descobrindo

Âmbito de gerarmos raridade


Maturidade

Povoado que estamos soterrando

Ânimo de gerarmos novidade


Maturidade tem acepção única?


Preciso atingir determinada idade para ter maturidade?

Falácia que deslumbra os soberbos

Há pessoas que passaram bodas, jubileus, e não têm maturidade


Precisaria atingir determinado grupo para ter maturidade?

Falácia que assombrava os indecisos

Há institutos que passaram ordens, defeitos e não tiveram maturidade


Maturidade tem acepção única?


O que as gerações pretéritas consideravam sobre a maturidade?

A cultura observava esse estágio da vida?

As opiniões maduras eram relevantes?


O que as gerações vigentes consideram sobre a maturidade?

A política desatende esse estágio da vida?

As façanhas maduras são vigilantes?


Maturidade tem acepção única?


Apegos monetários

Meramente o esquecimento de algumas faixas solitárias

Faixas com as contas reguladas


Encargos visionários

Meramente o aparecimento de algumas faixas solidárias

Faixas com as pautas reclamadas


Maturidade tem acepção única?


11. Recortes das gerações


Pedaço, amostra

Explicar o acervo de gerações

O terreno não me permite

Dificulto o importante


Mensagem, apontamento

Explicar o tributo de gerações

A extensão não me permite

Vislumbro a referência


Recortes das gerações


Inegável, todo recorte escolhe uma parte

O recorte deixa algum elemento fora

Não arruma plenamente o pano das gerações


Inegável, toda geração escolhe um marco

A geração deixa algum estorvo fora

Não atesta plenamente a posse das gerações


Recortes das gerações


Queixas não somem

As gerações com ampla discordância

Os objetivos também bagunçados


Alegrias não sobram

As gerações com estrita combinação

Os incidentes também apagados


Recortes das gerações


Construções utilitárias

Abstenções assistidas

Recortar tópicos fanáticos

Gerações de exílios inconstantes


Construções excessivas

Inclinações irrefletidas

Recortar círculos dramáticos

Gerações de utopias alarmantes


Recortes das gerações


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