sábado, 20 de dezembro de 2025

Prasinoversos - As esferas de Felipe Prasino (2025). Obs:. 20° livro de Felipe Prasino.

Cor: Oliva


Símbolo matemático: conjunto universo


Temas: Discrições, educações, indefinições, descontentamentos, repousos, decorrências, conciliações, ofícios, técnicas, aversões, autonomias, contrassensos


Data aproximada de escrita: outubro, novembro e dezembro de 2025


1. Prasinoverso 1 (Universos reservados)


Ambientes que não são conhecidos publicamente

Ambientes que requerem contatos graduais

Universos reservados trazem sutilezas instrutivas

Universos reservados se escondem dos telescópicos usuais


Indíviduos que não são incluídos totalmente

Indivíduos que expelem formatos eventuais

Universos reservados levam defesas sucessivas

Universos reservados se consomem dos microscópios manuais


Prasinoverso 1

(Universos reservados)


Imagina ser reservado em um universo que expõe?

Expõe a fraqueza sem o sustento universal

Imagina ser reservado em um universo que degrada

Degrada a leveza sem o cortejo universal


Imagina ser reservado em um universo que zomba?

Zomba a diferença sem o desvelo universal

Imaginado ser reservado em um universo que tolhe

Tolhe a presença sem o método universal


Prasinoverso 1

(Universos reservados)


Universos reservados

Finalmente vocês terão um espaço conforme as suas intenções

Universos reservados

Finalmente vocês terão um portfólio conforme as suas formações


Prasinoverso 1

(Universos reservados)


2. Prasinoverso 2 (Universos educativos)


A sala, o aposento onde estudo

A caixa onde guardo livros, culturas

O intelecto onde conecto redações


A dúvida, a lista onde localizo

A atmosfera onde deixo noções, elementos

O relógio onde constato variações


Prasinoverso 2

(Universos educativos)


Universos educativos

Fortes com diversas abordagens

Fortes revistos continuamente


Universos educativos

Fortes com precisas engrenagens

Fortes sondados intensamente


Prasinoverso 2

(Universos educativos)


Educação, enquanto forte, instiga

Acompanhamos as demandas acordadas?

Por que esse forte foi limitado?


Educação, enquanto forte, opta

Acompanhamos as opções priorizadas?

Por que esse forte foi adiado?


Prasinoverso 2

(Universos educativos)


Discutir as disciplinas práticas, metafísicas

Currículos respeitáveis, abrangentes

Educar, função do forte informado


Discutir os sistemas terrestres, planetários

Palestras alinhadas, necessárias

Educar, função do forte dedicado


Prasinoverso 2

(Universos educativos)


Oportunidades produzidas pela erudição

Fortes sem distinções classistas

O treinamento sem privilégios étnicos


Prasinoverso 2

(Universos educativos)


3. Prasinoverso 3 (Universos indefinidos)


Acertos em meios pragmáticos?

Espera a distinta aclamação?


Por que tudo pressupõe definição?

Constrange ter múltiplas realidades?

Territórios disponíveis para realçar

Riscos de um repertório democrático


Prasinoverso 3

(Universos indefinidos)


Virtudes em meios dogmáticos?

Espera a ignota rejeição?


Por que tudo pressupõe definição?

Constrange ter severos raciocínios?

Territórios fechados para revogar

Riscos de uma oposição dominadora


Prasinoverso 3

(Universos indefinidos)


A experiência não demonstra hostilidade?

O que é contrário não é golpeado?


Universos indefinidos

Porventura a definição acolhe ou exclui?

Definir leva à hierarquias, etnocentrismos

Categorias têm usos dubitáveis


Prasinoverso 3

(Universos indefinidos)


A experiência não demonstra atrevimento?

Algo que é legítimo não é ultrajado?


Universos indefinidos

Porventura a definição basta ou aflige?

Definir leva à anacronias, individualismos

Categorias têm usos reprováveis


Prasinoverso 3

(Universos indefinidos)


Alheios aos verbetes, enciclopédias

Apreciadores das mentes contemplativas

Risonhos dos modelos recentes,

Cientes quanto às tentativas de nomeá-los


Prasinoverso 3

(Universos indefinidos)


4. Prasinoverso 4 (Universos descontentes)


Acordar e ver o mesmo sendo vivido

Desânimo que carrega fraqueza

Mesmice impeditiva da transcendêcia

Limpeza feita nos trechos saudáveis

Corrida que almeja empecilho


Criticar e ter o mesmo sendo vendido

Aparelho que propaga aversão

Chatice acolhedora da intolerância

Bagunça solta nos frutos singulares

Estupidez que reusa covardia


Prasinoverso 4

(Universos descontentes)


Inconveniência de uma mentira aprovada

A carreira edificada em solos instáveis

Cobiça vinculada aos segmentos vaidosos

Aplicações reservadas para opulentos

Emancipação obstada por monopólios


Alfabetização de uma apatia fundada

A conversa retalhada em motes nublosos

Rudimento aliado aos triunfos monetários

Brigas indicadas para miseráveis

Estagnação desejada por instituições


Prasinoverso 4

(Universos descontentes)


Universos descontentes

Quem tem se aproxima da falta?

Há estratos que não têm quantias

Descontentes antecipam, habilitados

Equilíbrio afugenta informes figurativos


Universos descontentes

Quem manda se desliga da estima?

Há estratos que não têm opções

Descontentes participam, coerentes

Simpatia invoca chances adequadas


Prasinoverso 4

(Universos descontentes)


Modificações, órbitas esmiuçadas

Satisfação sendo o desafio respeitado

Rebeliões nos retiros explorados

Temperamentos que sofrem menosprezo

Contentar excede os códigos instaurados


Modificações, órbitas negociadas

Admiração sendo o impulso declarado 

Negócios nos imóveis amurados

Acontecimentos que denotam excesso

Contentar diminui os acúmulos herdados


Prasinoverso 4

(Universos descontentes)


5. Prasinoverso 5 (Universos repousantes)


Sonos, brechas no espaço-tempo

Fazer pouco, com critério, traz sugestão

Postulam rendimentos ultra-humanos

Esgostar é crime na etapa industrial

Respiros, ciscos no bem-estar

Deixar pronto, com sufoco, traz moléstia

Inflamam controvérsias anti-históricas

Respaldar é ambigo no cenário oscilante


Sonos, flechas no mapa-múndi

Manter renome, com clareza, traz afinco

Resgatam despesas infra-sonoras

Contornar é prova no estado ruinoso

Respiros, riscos no padrão-ouro

Impelir sorriso, com ênfase, traz rancor

Balançam pressupostos pró-fanáticos

Abrandar é desculpa no restauro previsto


Prasinoverso 5

(Universos repousantes)


Universos repousantes

Melhorias nos ofícios regulares

Remédios convenientes aos agravos

Cismas suspendidas, há exemplos

Lentidão encontra objetos incomuns

Provisões eficazes, primordiais


Universos repousantes

Passeios nas notícias prósperas

Alvitres proveitosos aos surtos

Pressas rescindidas, há agasalhos

Condução organiza estímulos gentis

Recisões honestas, decifradas


Prasinoverso 5

(Universos repousantes)


Repousos deslocam meteoros temidos

Estresses desintegrados por intervalos

Gravidades calibradas no intangível

Alívios revigoram talhes reclinados

Decências de uma postura selecionada

Índoles autênticas em circuitos rutilantes


Prasinoverso 5

(Universos repousantes)


6. Prasinoverso 6 (Universos decorrentes)


Gerir, saída agora impensável

Impropérios embelezando valas

Litigar patifarias, o limo do pântano


Medir, luz outrora antipática

Parasitas distanciando pencas

Relaxar alcances, o farol da sentinela


Prasinoverso 6

(Universos decorrentes)


Produtos revoltos no estoque da convicção

Motores inoperantes devido à ferrugem

Desvario usual assevera fraude


Visitas exatas na estadia do infortúnio

Mobílias dinâmicas todavia o rebuliço

Bonança perene enfatiza penúria


Prasinoverso 6

(Universos decorrentes)


Universos decorrentes

Aguaceiro previsto aos navegadores

Desembarque trabalhoso, degraus bambos


Universos decorrentes

Insolação trazida aos caminhantes

Vestimenta misturada, fibras fictícias


Prasinoverso 6

(Universos decorrentes)


Causa e efeito

Registro das contas alheias

Crença no princípio multisetorial


Ação e reação

Nexo dos corpos físicos 

Coluna na percepção científica


Prasinoverso 6

(Universos decorrentes)


Decorrência não instala punição

Inteirar-se de si estraçalha tramoias

Adequação das condutas abrevia lástimas


Prasinoverso 6

(Universos decorrentes)


7. Prasinoverso 7 (Universos conciliadores)


Âmago, atributo perdurável!

Carcaça, apetrecho coercível!


Diligência secundada!

Secundada por pacifistas!

Absorver seres nas declarações

Conchas dos impasses prorrogados


Prasinoverso 7

(Universos conciliadores)


Coldre, ornato temerável!

Ética, construto agitável!


Diligência alvoroçada!

Alvoroçada por formalistas!

Inscrever hastes nos armísticios

Pompas dos sacríficios celebrados


Prasinoverso 7

(Universos conciliadores)


Jugo, atividade implacável!

Pleito, ocasião associável!


Burocracia desfalcada!

Desfalcada por reformadores!

Englobar garantias nas disposições

Regaços das euforias congeladas


Prasinoverso 7

(Universos conciliadores)


Devastação, malefício inadiável!

Alimento, débito flutuável!


Burocracia avolumada!

Avolumada por embromadores!

Confinar requisitos nos formulários

Bagaços das maneiras professadas


Prasinoverso 7

(Universos conciliadores)


Universos conciliadores

Tranquilos, remontando divertimento

Estorvando a rivalidade encorajada

Desobrigados ao extermínio insinuante


Prasinoverso 7

(Universos conciliadores)


8. Prasinoverso 8 (Universos laboriosos)


Lavorar, limas aguçadas nas enxadas

Inundações incorrigíveis, calculáveis

Eleger grãos mesclados em fendas

Carriolas com pedras surpreendentes

Entravar misérias robustas, arraigadas


Lavorar, glebas encravadas nos arados 

Irrigações irreprimíveis, postergáveis

Redigir hortas ordenadas em ciclos

Cavadeiras com detritos proeminentes

Debelar domínios obsoletos, execrados


Prasinoverso 8

(Universos laboriosos)


Alongar, intervenção estouvada

Fôlego se adquire cogitando

Tremer por mixaria, trapaça

Gaiolas soldadas no egoísmo

Replicar gentilezas silenciosas


Alongar, insurreição retornada

Moleza se desfaz treinando

Bramir por encargo, piedade

Martelos atirados na imperícia

Ressecar grosserias duvidosas


Prasiniverso 8

(Universos laboriosos)


Alegação dos calendários extenuantes

Evidentes folgas citadas nas escalas

Expectativas de uma camada maleável

Substanciar correções sobre contribuições

Escárnios avaliados por julgadores


Mitigação das leviandades sobrepostas

Pacientes dicas ilustradas nas diárias

Progressos de uma plataforma assertiva

Reconsiderar enfoques sobre vencimentos

Parceiros solicitados por executores


Prasinoverso 8

(Universos laboriosos)


Universos laboriosos

Escambo reapresentado por vasculhadores

Potes de condimentos escassos

Agregar semeaduras para emergências

Artesanatos obstinados nos agrupamentos


Universos laboriosos

Comércio sedimentado por especuladores

Latas de guloseimas acessíveis

Contratar especialistas para agilidades

Maquinários planejados nos insulamentos


Prasinoverso 8

(Universos laboriosos)


9. Prasinoverso 9 (Universos artísticos)


Universos artísticos

Palcos arrostados no espetáculo

Átrios esquivados na balbúrdia

Lixadeiras pedregosas no caibro

Esmaltes inconsistentes no cesto

Costuras disparatadas no biombo

Ilhoses enferrujados no vestuário

Argilas grudadas no retoque


Universos artísticos

Taças idolatradas no mostruário 

Ânforas recoloridas na curadoria

Cavaletes atarrantados na paleta

Espátulas espatifadas na massa

Serrotes deteriorados na madeira

Imersões interditadas na tertúlia

Alicates relaxados na montagem


Prasinoverso 9

(Universos artísticos)


Abóbodas cautelosas, duradouras

Monumentos espaçados nas naves

Artifícios reproduzidos por escolas

Apertos renitentes, prestimosos

Estiagens perplexas nos dilemas

Labaredas sucintas por epifanias


Abóbodas audaciosas, nascedoras

Firmamentos comparados nas telas

Solstícios pressentidos por sombras

Lufadas dissidentes, caprichosas

Temporais complexos nos dramas

Orvalhos distintos por melodias


Prasinoverso 9

(Universos artísticos)


Películas amassadas nas conservações

Relatos realocados nos descobrimentos

Pavilhões imobilizados nas anexações

Entalhes enublados nos procedimentos

Partituras acanhadas nas convenções

Afrescos desbotados nos equipamentos


Prasinoverso 9

(Universos artísticos)


10. Prasinoverso 10 (Universos descontentes)


Bulas, cartilhas limpadas

Eventos, estágios defasados

Deduções, reticências inatacáveis


Confortos, arrimos impertubáveis

Vantagens, honrarias arrematadas

Testamentos, túmulos reverenciados


Prasinoverso 10

(Universos detestáveis)


Detestáveis precavidos

Precavidos às hipóteses superficiais

Óbices solucionados arredam submissões


Detestáveis convertidos

Convertidos às exibições unilaterais

Bilhetes deturpados avultam retaliações


Prasinoverso 10

(Universos detestáveis)


Universos detestáveis

Ousar escancara inconsistências

Lâmpadas não focalizam armadilhas


Universos detestáveis

Apurar desencanta complacências

Bibliotecas não anunciam repreensões


Prasinoverso 10

(Universos detestáveis)


Insuficiências das atuações usufruídas

Motins parcelados nos equívocos

Sumiços dispersados por intelectuais


Abundâncias das anotações transferidas

Motejos aglutinados nos pendores

Vindas demarcadas por lideranças


Prasinoverso 10

(Universos detestáveis)


Fomentar ideais desmascara presunçosos

Oportunizar pecúlios oferece integridade

Assimilar alternativas boicota tiranias


Prasinoverso 10

(Universos detestáveis)


11. Prasinoverso 11 (Universos autônomos)


Antagonismos em artigos anelados

Favoritismos em fábricas forjadas


Universos autônomos

Caráter apreensivo com arroubos

Diálogos retomam simulações

Entrever granjeia brutalidade


Prasinoverso 11

(Universos autônomos)


Graciosidades quando gratificações urgem

Debilidades quando deferências fenecem


Universos autônomos

Lucidez agastada com artimanhas

Charadas poupam abstenções

Entreter consome vitalidade


Prasinoverso 11

(Universos autônomos)


Altruísmos conduzidos por insurgentes

Pedantismos obedecidos por ignóbeis


Escadas aplainadas durante trajetos

Cosmovisões flexíveis calibram corrimões

Encomendar adereços representativos

Fornecer parafusos eficientes


Prasinoverso 11

(Universos autônomos)


Notoriedades com os desempenhos feitos 

Seriedades com as incumbências emersas


Escadas lustradas durante êxitos

Premissas viáveis propiciam patamares

Recuperar pigmentos comemorativos

Enaltecer texturas resilientes


Prasinoverso 11

(Universos autônomos)


Expor é recorrente para espontâneos

Disfarçes afagam contrariedades arcaicas

Tenacidades insuflam catarses gradativas

Encolher é convincente para requintados


Prasinoverso 11

(Universos autônomos)


12. Prasinoverso 12 (Universos discrepantes)


Afrouxamentos, sedentários rutilantes

Cargos não atestando inclinações

Indícios anexados embora resmas

Convênios maléficos, fruidores habituados

Recontagens das peripécias prenunciadas


Afrouxamentos, empresários delirantes

Ditames não refutando imprecisões

Recibos minuciados consoante rasuras

Quinhões infames, liquidantes combinados

Reciclagens dos protocolos provisórios


Prasinoverso 12

(Universos discrepantes)


Universos discrepantes

Recepções notificam, eclipsam

Idiomas designados por ministérios

Subverter e socorrer principiantes

Cercar jazidas desativadas


Universos discrepantes

Redenções ratificam, abdicam

Sintomas trucidados por infantarias

Diminuir e difundir recalcitrantes

Reaver bandejas depauperadas


Prasinoverso 12

(Universos discrepantes)


Introduzir compostura aborrece leigos

Suster adulterando sinopses Probabilidades vetadas por facínoras

Sorteios inoperantes, entediantes

Checar experimentos emaranhados


Imprimir perspectiva emaranha doutos

Galgar aguentando lorotas

Prodigalidades adotadas por canalhas

Rateios dissonantes, espoliantes

Coser encantamentos estilhaçados


Prasinoverso 12

(Universos discrepantes)


Colisões, arrependimentos sem recessos

Cobrar retidão encadeia enfurecimentos

Tubulações incrustadas por enroladores

Acautelar afirmações atulham armários

Bravatas dissimuladas nos almanaques


Colisões, destronamentos sem regalias

Calçar buraco endossa extravasamentos

Dissoluções irrelevadas por expositores

Estarrecer expulsões enervam epígonos

Cascatas importunadas nas excursões


Prasinoverso 12

(Universos discrepantes)


É proibida a reprodução desta obra sem a devida citação/menção do autor.


Todos os direitos reservados.



Recortes das gerações - As famílias de Felipe Prasino (2025). Obs:. 19° livro de Felipe Prasino.

Cor: Lavanda


Símbolo matemático: ângulo


Temas: Resumos, sonhos, saudosismo, estimativas, trabalhos, farsas, juventude, paradigmas, ancestrais, conflitos geracionais, maturidade, recortes, gerações


Data aproximada de escrita: julho, agosto e setembro de 2025


1. Resumo dos últimos milhões de anos


Morreram muitos

Camuflar é perda de tempo

Tô tentando entender essa transição

Sentindo a continuidade das questões


Viveram muitos

Lamentar é falta de saber

Tô tentando convergir essa distinção

Recusando a incompreensão dos fatos


Resumo dos últimos milhões de anos


Guerras, doenças, ciclos, lutos

Nascimentos, mortes, sumiços

Divergências originadas além-século


Matérias, sortes, apuros, curas

Excessos, conselhos, lançamentos

Acordos recomendados além-povo


Resumo dos últimos milhões de anos

Linhagens contestadas

Costumes destroçados

Épocas mal esmiuçadas


Vegetações derrubadas

Territórios inacabados

Promessas mal apreciadas


Resumo dos últimos milhões de anos


Uma só geração mudará tudo?

Onde está o empenho coletivo?

Se as questões não impelem a expectativa


Uma só resposta colará tudo?

Onde está o trecho pessoal?

Se os enlaces abatem a identidade


Resumo dos últimos milhões de anos


Voltas e voltas não resolveram

Almas, jogos, obstáculos

Recintos frequentes

Os convites exaustivos


Tréguas e tréguas não acolheram 

Lojas, cortinas, atrações

Dívidas inabaláveis

Os sentidos corrompidos


Resumo dos últimos milhões de anos


2. Três tempos dos sonhos


Descanso, ajusto

Resido, subsisto

Fantasio, retenho


Transmiti, acolhi

Atravessei, encontrei

Experimentei, deparei


Instigarei, gostarei

Consultarei, avisarei

Esquecerei, incomodarei


Tempo do passado

O não compreendido

Evento que não era interessante


Tempo do presente

O não aprofundado

Período que não é sistêmico


Tempo do futuro

O não renomado

Cosmo que não será enfadonho


Três tempos dos sonhos

O sonho como oportunidade de pertencer

O sonho como meio para sentir alegria


Três tempos dos sonhos

O sonho como medicamento para alma

O sonho como região de pertencimento


Três tempos dos sonhos

O sonho como filtro de conteúdo

O sonho como treino para a resposta


Conjunto de exposições simbólicas

O abstrato como eixo de testemunho

O abstrato como influência para a questão


Conjunto de ventanias singulares

O abstrato como defesa para a escolha

O abstrato como registro de sentimento


Conjunto de nascentes invisíveis

O abstrato como índicio de jornada

O abstrato como lanterna para a tragédia


3. Para com saudosismo


Para com saudosismo

Você não existe mais, eu também não

Se é que um dia existimos aqui


Para com saudosismo

Você não sente mais, eu também não

Se é que um dia sentimos aqui


Para com saudosismo


Se antigamente era bom por que hoje não é?

O não resolvido se acumulou, percebe?


Se hoje tudo está perdido porque antes não estava?

O não criticado se estagnou, despede?


Para com saudosismo


Se viveu, viveu

Se sentiu, sentiu

Não simule algo que não é possível resgatar

Não crie entraves as novas formas de viver, sentir


Se as famílias mudaram, mudaram

Se as culturas difundiram, difundiram

Não discuta ação que não é prudente enraizar

Não receba as antigas violências de reter, fingir


Para com saudosismo


Esse recado também vale para mim

O que sou hoje não cabe no passado

Não fiz porque não podia fazer

Me delatar não revoga os agravos


Esse recado também vale para mim

O que fui não restringe o presente

Não cri porque não podia crer

Me isentar não silencia os óbices


Para com saudosismo


4. O que não entrevi nas eras


Minhas questões não são as suas

Minhas bandeiras não são as suas

Caso espere sua sensibilidade

Caso espere seu incômodo

Fatigo e não vejo resultados


Meus recortes não são os seus

Meus inimigos não são os seus

Caso espere seu engajamento

Caso espere sua piedade

Padeço e não vejo consertos


O que não entrevi nas eras


Fatiguei por que não me guardaram

Padeci por que não me ergueram

Questões e bandeiras me alvejaram

Recortes e inimigos me deteram


Algo acontecia sem a minha atenção

Algo permanecia sem a minha oposição

Trocaram intérpretes, não os exemplos

Incluíram cerimônias, não os princípios


O que não entrevi nas eras


Presumi a aprovação alheia

Localizei a superfície interna

Agradeci a desgraça erigida


Consumi o disparate festajado

Realizei o impulso comunitário

Abrangi o estrado equivocado


O que não entrevi nas eras


Renúncia do âmago

Desdém do extravio


Repulsa do encargo

Desdita do atraso


O que não entrevi nas eras


5. Ocupações e trabalhos repassados


Considerei vocês?

Me consideraram?

Devoramos milênios


A situação foi encerrada?

Tarefas impedidas


Ocupações e trabalhos repassados


Ultrapassei vocês

Me ultrapassaram?

Dispensamos repousos


A gentileza foi elaborada?

Inércias promovidas


Ocupações e trabalhos repassados


O dever era compartilhado?

A necessidade não existia, não era divisada

A cósmica forma de entender o todo

Habitar e gerir em prol da comunidade


A divisão foi instalada?

A classe foi composta, era orgulhosa

A avarenta forma de repartir o todo

Sobreviver e laborar em prol da moeda


Ocupações e trabalhos repassados


A carência foi constatada?

A fome foi exposta, era deplorável

A mecânica forma de explorar o todo

Consumir e fabricar em prol do juro


O debate foi alastrado?

A elite foi afrontosa, era covarde

A dedicada forma de valorizar o todo

Assegurar e correr em prol da humanidade


Ocupações e trabalhos repassados


Antes da língua ser ordenada, nós trabalhamos, nos ocupamos

Antes do serviço ser fracionado, nós trabalhamos, nos ocupamos


Ocupações e trabalhos repassados


Depois da riqueza ser agrupada, nós trabalhamos, nos ocupamos

Depois do sistema ser refutado, nós trabalhamos, nos ocupamos


Ocupações e trabalhos repassados


6. Farsas preferidas


"Não mude isto, se acomode"

"Vai reinventar tudo"?

"Não questione, cumpra"

"Vão te maldizer, silencie"


"É desse jeito, se acostume"

"Vai provocar todos"?

"Não suplique, transija"

"Vão te convencer, recebe"


Farsas preferidas


Despenquei

Qual ser não despencou?

Repetir as mesmas farsas

As farsas preferidas

Acreditando na retirada da angústia


Devastei

Qual ser não devastou?

Impelir as mesmas farsas

As farsas preferidas

Acreditando na investida da calmaria


Farsas preferidas


Descrevem, enfadam

Onde afirmam suas farsas preferidas?

Garantem, arrastam?

Onde exibem suas farsas preferidas?


Prometem, burlam

Onde acirram suas farsas preferidas?

Resistem, deliram

Onde esvaem suas farsas preferidas?


Farsas preferidas


As farsas atraem gerações

Deduzam as práticas coroadas


As farsas privam gerações

Deduzam as criações adiadas


Farsas preferidas


7. Primeira Juventude


Descobre e se empolga

Expõe e se assusta

Planeja e se prejudica

Já sintetizou a juventude?


Fascina e se amofina

Produz e se zanga

Aplaude e se insurge

Já sintetizou a juventude?


Primeira Juventude


Quem tem mais de duas décadas recorda

Recorda diversão, richa, cemitério

Recorda até os adágios populares


Quem tem mais de duas décadas acumula

Acumula trauma, receita, antipatia

Acumula até as manias familiares


Primeira Juventude


A primeira parte da juventude

Emprego, casamento, formação

Separação, planejamento familiar

Religião, eventos sociais, parceria


A primeira parte da juventude

Traição, delonga, velocidade

Demanda, condição financeira

Propósito, desvios naturais, arrojo


Primeira juventude


Juventude acusada de estragar

Uma única geração estragaria as bases?

Acaso as outras gerações preservaram?


Juventude incumbida de explanar

Uma única geração explanaria as lides?

Acaso as outras gerações complicaram?


Primeira Juventude


A imudável juventude

A variável juventude


A intrometida juventude

A restringida juventude


Primeira Juventude


8. Esse paradigma da estupidez eu não valido!


Ficar com o mesmo corpo pra sempre?

Andar no mesmo ritmo pra sempre?

Tem que burilar alguma coisa, né?

Até o planeta burilou nas diversas épocas


Dormir com o mesmo juízo pra sempre?

Bramir no mesmo discurso pra sempre?

Tem que pesquisar alguma coisa, né?

Até o universo sondou nos diversos globos


Esse paradigma da estupidez eu não valido!


Em uma praça que não era distante

Discutíamos, falávamos

A necessidade humana por aprendizado era considerada normal


Em uma redoma que é próxima

Classificamos, orquestramos

A inutilidade humana por comodismo é considerada ideal


Esse paradigma da estupidez eu não valido!


O paradigma muda, não vou contestar esse fato

Todo dia saúdam um paradigma

Mas com tanto paradigma, proveram esse?


O paradigma desce, eu vou reforçar esse fato

Todo dia sepultam um paradigma

Mas com tanto paradigma, reteram esse?


Esse paradigma da estupidez eu não valido!


Foco no cosmo, foco em Deus

Foco no ser humano, foco na ciência

Foco na natureza, foco na diversidade

Todos esses paradigmas têm suporte

Mas não o calamitoso paradigma da estupidez


Foco no país, foco em pedaço

Foco no egoísmo, foco no patrimônio

Foco na simulação, foco na linhagem

Todo esse paradigma tem dissenso

Sim, o impulsionado paradigma da estupidez


Esse paradigma da estupidez eu não valido!


9. Escorreguei mais que meus ancestrais


Escorreguei mais que meus ancestrais

Eles escorregaram, mas não tiveram o cascalho para se firmarem

Eu, com jazida, escorreguei mais que eles


Escorreguei mais que meus ancestrais

Eles escorregaram, mas não tiveram o casaco para se vedarem

Eu, com moda, escorreguei mais que eles


Escorreguei mais que meus ancestrais


Dizia que não escorregaria desse modo

Escorregaram em algo tão evidente

Evidente pra quem?


Sentenciava as escorregadas deles

Escorregaram em algo tão corriqueiro

Corriqueiro pra quem?


Escorreguei mais que meus ancestrais


Meus ancestrais não tiveram recursos

Máquina, terraplanagem, pavimento

Passarela, alicerce, escritura

Isso era custoso numa regra de escassez


Os atuais têm e terão mais recursos

Domicílio, sondagem, veículo

Projeto, gráfico, distribuição

Isso é digno num dever de abundância


Escorreguei mais que meus ancestrais


Ancestrais, você não acessaram o estudo metodizado

Mas seus descendentes acessarão!


Ancestrais, você não recolheram o conforto labutado

Mas seus descendentes recolherão!


Escorreguei mais que meus ancestrais


10. Conflitos entre gerações


"A coisa só complica"

"Esquece o passado, tudo é moderno"

"A falta de respeito, algo que não existia"

"Esquece essa ideia"


"Ninguém pergunta o que quero"

"Falta a disciplina"

"Escolha é valiosa"

"Ninguém falava nesse assunto"


Conflitos entre gerações


O mundo esteve repleto de gerações

Uma querendo substituir a outra

Viu a arte, ciência, religião, política?

A questão era desmerecer a antecessora


O mundo estará cansado de gerações

Uma querendo suprimir a outra

Verá o esporte, plantio, croqui, idioma

A questão será remendar a antecessora


Conflitos entre gerações


Rotulações para as gerações não faltam

Mas essas rotulações representam as gerações?


Intervenções para as gerações não faltam

Mas essas intervenções menosprezam as gerações?


Conflitos entre gerações


Definiram uma geração em vinte anos, mais ou menos

Entretanto, quantas estruturas são trocadas em dois decênios frenéticos?

Uma geração não consegue assimilar as numerosas atitudes


Dilataram uma espécie em sete gerações, mais ou menos

Entretanto, quantas simetrias são notadas em duas gerações próximas?

Duas gerações não conseguem embaraçar os indivisíveis atributos


Conflitos entre gerações


11. Maturidade tem acepção única?


Maturidade

Predicado que estamos descobrindo

Âmbito de gerarmos raridade


Maturidade

Povoado que estamos soterrando

Ânimo de gerarmos novidade


Maturidade tem acepção única?


Preciso atingir determinada idade para ter maturidade?

Falácia que deslumbra os soberbos

Há pessoas que passaram bodas, jubileus, e não têm maturidade


Precisaria atingir determinado grupo para ter maturidade?

Falácia que assombrava os indecisos

Há institutos que passaram ordens, defeitos e não tiveram maturidade


Maturidade tem acepção única?


O que as gerações pretéritas consideravam sobre a maturidade?

A cultura observava esse estágio da vida?

As opiniões maduras eram relevantes?


O que as gerações vigentes consideram sobre a maturidade?

A política desatende esse estágio da vida?

As façanhas maduras são vigilantes?


Maturidade tem acepção única?


Apegos monetários

Meramente o esquecimento de algumas faixas solitárias

Faixas com as contas reguladas


Encargos visionários

Meramente o aparecimento de algumas faixas solidárias

Faixas com as pautas reclamadas


Maturidade tem acepção única?


11. Recortes das gerações


Pedaço, amostra

Explicar o acervo de gerações

O terreno não me permite

Dificulto o importante


Mensagem, apontamento

Explicar o tributo de gerações

A extensão não me permite

Vislumbro a referência


Recortes das gerações


Inegável, todo recorte escolhe uma parte

O recorte deixa algum elemento fora

Não arruma plenamente o pano das gerações


Inegável, toda geração escolhe um marco

A geração deixa algum estorvo fora

Não atesta plenamente a posse das gerações


Recortes das gerações


Queixas não somem

As gerações com ampla discordância

Os objetivos também bagunçados


Alegrias não sobram

As gerações com estrita combinação

Os incidentes também apagados


Recortes das gerações


Construções utilitárias

Abstenções assistidas

Recortar tópicos fanáticos

Gerações de exílios inconstantes


Construções excessivas

Inclinações irrefletidas

Recortar círculos dramáticos

Gerações de utopias alarmantes


Recortes das gerações


É proibida a reprodução desta obra sem a devida citação/menção do autor.


Todos os direitos reservados.

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Outros lados - As vontades de Felipe Prasino (2025). Obs:. 18° livro de Felipe Prasino.

Cor: Cáqui


Símbolo matemático: Pertence


Temas: Faces, televisões, sapatos, inseguranças, pares, dicionários, anseios, interpretações, ímpetos, costuras, rotinas, desconfianças, loucuras, catálogos, otimizações, partes

Data aproximada de escrita: abril, maio e junho de 2025


1. Minhas unhas


Queria que escondesse minhas unhas

Mas não adiantou


Você propôs a mentira

De certo modo concordei

Porém sabia da fraqueza

E assim não a mantive


Você propôs a repressão

De certo modo de vida

Porém sabia da energia

E assim a rechacei


Minhas unhas


Você quis esconder meus lados

Todo traço que irritava a maioria

Tive que esconder minhas unhas

Isso só provocou muita agonia


Você quis esconder meus lados

Toda ideia que não seguia a hipocrisia

Agora decidi revelar minhas unhas

Isso só aumentou minha ousadia


Minhas unhas


Não estou aqui para fazer vontades alheias

Tenho minha consciência que pergunta

Se a mentira é a base do sofrimento

Compensa pagar o preço da permuta?


Não estou aqui para escrever ódios alheios

Tenho minha experiência que ensina

Se a revolta é peso da desigualdade

Compensa atiçar o aumento da ruína?


Minhas unhas


Me resta mostrar minhas unhas

Mostre as suas garras assim

Se não consegue as sustentar

Passe as estudá-las também


Me resta aceitar minhas unhas

Aceite as suas garras assim

Se não consegue as aparar

Passe as aceitá-las também


Minhas unhas


Queria que escondesse minhas unhas

Mas não adiantou


2. Sintonia constante


Ligo a TV

Busco canais

A falta de algum

Me leva a indagar


Desligo a TV

Dispenso canais

A chegada de algum

Me leva a esperar


Sintonia constante


Autorizações, outorgas

Canais analógicos, digitais

Canais parabólicos, locais

Sinais via fibras, cabos


Antenas externas, internas

Controles, suportes

Recursos, manuais

Tecnologias, regiões

Sintonia constantes


O universo dos canais

Redes, canais regionais

Religiosos, educativos

Conhecidos, desconhecidos


O mistério dos canais

Programações, mudanças

Retornos, cancelamentos

Assistidos, ignorados


Sintonia constante


A consolidação da era digital

A TV Digital em todas as renovações

A utilidade da TV enquanto instrumento

A TV Digital em todas as inovações


A renovação da era digital

A TV Digital em todos os anseios

A capacidade da TV enquanto inspiração

A TV Digital em todos os torneios


Sintonia constante


A TV inteligente tem limite de interação?

A tela tem limite de polegada?


A TV inteligente tem limite de público?

A tela tem limite de qualidade?


Sintonia constante


Ligo a TV

Reconheço canais

A falha de algum

Me leva a indagar


Desligo a TV

Acolho canais

A partida de algum

Me leva a esperar


Sintonia constante


3. Sapatos, sapatos


Sapatos, sapatos

Quero sapatos

Sapatos, sapatos

Compro sapatos


Sapatos, sapatos

Procuro sapatos

Sapatos, sapatos

Guardo sapatos


Sapatos, sapatos


Sapatos com tantos estilos

Country, urbano, social

Sapatos com tantas texturas

Nobuck, liso, camurça


Sapatos com tantos tons

Preto, amarelo, marrom

Sapatos com tantas alturas

Baixo, médio, alto


Sapatos, sapatos


Trocarei os sapatos?

Limparei os sapatos?

Desenharei os sapatos?

Fabricarei os sapatos?


Olharei mais sapatos?

Suprirei minha carência?

Calçarei mais sapatos?

Exibirei minha potência?


Sapatos, sapatos


Sapatos são identidade

Será que eu só tenho uma?

Sapatos trazem novidade

Será que eu aprovo toda?


Sapatos são experiência

Será que eu só quero uma?

Sapatos trazem tendência

Será que eu alcanço toda?


Sapatos, sapatos


4. Reticente comigo


De uns anos pra cá

Tive, tenho, a reticência comigo


Vou me assustar?

Vou, quem sabe, provocar?

A sua reticência comigo


Vou me aconselhar?

Vou, quem sabe, revelar?

A sua reticência comigo


Reticente comigo


Percebo o lugar que ocupo na sua vida

Que eu sou lembrado na sua solidão

Liberando o sentimento que eu esculpia

Resguardo a grande pedra do respeito


Percebo a fala que escuto da sua lida

Que eu sou afastado da sua afeição

Afagando a frustração que eu reerguia

Aguardo a grande poeira do desprezo


Reticente comigo


O fruto da minha condição te incomoda?

Não vale minha ação correta contigo?

Quando não suportar a festa, falsa

Poderá se aproximar de mim?


O vício da minha opinião te apavora?

Não cabe minha ideia incerta comigo?

Quando não agradar o topo, tosco

Poderá se distanciar de mim?


Reticente comigo


Eu, comigo, construo a reticência

É uma ferida que sou levado a lavar

Não curto tratamentos descabidos

O vestígio permanece longamente


Eu, comigo, costuro a reticência

É uma torcida que sou levado a trocar

Não curto exageros escondidos

O desejo desaparece furtivamente


Reticente comigo


De agora para frente

Tenho, terei, a reticência comigo


5. Pares


Pares

Lugares pares

Horas pares

Datas pares


Pares

Elementos pares

Mundos pares

Frases pares


Pares


Os pares em números romanos

Indo-arábicos, veteranos


Os pares em metas literárias

Musicais, temporárias


Pares


Pares

Cores pares

Sons pares

Estilos pares


Pares

Pessoas pares

Casas pares

Obras pares


Pares


Os pares em coleções

Capítulos, tratados


Os pares em trocados

Tributos, canções


Pares


Exagero por pares?

Admiração por pares?


Cansaço por ímpares?

Antipatia por ímpares?


Pares


Trabalho dos pares

Disputa dos pares

Aliança dos pares

Mapa dos pares


Revelação dos pares

Mistério dos pares

Segredo dos pares

Atalho dos pares


Pares


6. Dicionário


Dicionário

Me consulta quando quer

Se preocupa quando tem dúvida

Te irrita quando não responde


Dicionário

Me ignora quando sai

Se interessa quando tem trabalho

Te aflige quando não confirma


Dicionário


Me rotula

Qual calhamaço que ocupa lugar

Qual objeto que ficou defasado

Um trambolho que pretende descartar


Me atura

Qual artefato que está esquecido

Qual idioma que está desusado

Uma cultura que pretende enterrar


Dicionário


Outros meios mais modernos

O papel se tornou obsoleto?

Se não respondo seus anseios

Devo sofrer o ostracismo?


Outros rumos mais rentáveis

O saber se tornou excesso?

Se não endosso seus protestos

Devo aceitar a decadência?


Dicionário


Ser útil ao sistema econômico é o fim?

A história se resume aos resultados?

Devemos ignorar os povos passados?

A identidade será apenas lembrança?


Ser fiel ao modelo social é importante?

A escolha se amolda aos proventos?

Devemos valorar os talentos?

A diferença será apenas vergonha?


Dicionário


7. Anseio por terminar


Anseio por terminar

De escrever um livro

De apreciar um livro

De conceber um livro


Anseio por terminar

De apoiar uma ideia

De receber uma ideia

De reformar uma ideia


Anseio por terminar


Anseio por terminar

De prosseguir uma amizade

De contestar uma amizade

De decifrar uma amizade


Anseio por terminar

De esperar uma escolha

De rebater uma escolha

De dirigir uma escolha


Anseio por terminar


Começar algo pensando em terminar

Um mal que carrego na existência

Não sei se é desapego, pressa

Sei que sigo nesse estado


Começar algo pensando em terminar

Uma questão que vejo na rotina

Não sei se é hábito, gosto

Sei que padeço nessa trilha


Anseio por terminar


Mal de quem valora?

Mal de quem difere?

Mal de quem cinde?

Mal de quem nota?

O término impõe lutas?


Mal de quem convida?

Mal de quem resume?

Mal de quem emite

Mal de quem vacila?

O término permite fugas?


Anseio por terminar


8. Leio, releio


Leio, releio

Escrevo, reescrevo

A interpretação tem fundamentos


Leio, releio

Evoco, reevoco

A reminiscência tem complementos


Leio, releio


Leio, releio

Muitas vezes releio

A mesma frase

O mesmo parágrafo


Leio, releio

Muitas vezes releio

O mesmo ser

A mesma conduta


Leio, releio

Quando o detalhe foi ignorado?

Quando o enredo foi encurtado?

Quando a música foi apoiada?

Quando a cena foi simplificada?


Quando a moda foi estagnada?

Quando a fome foi recusada?

Quando o diálogo foi tolerado?

Quando o sentido foi evitado?


Leio, releio


Não bastam nomes distintos

A capa dominante, realçada

A vertente convencional

Há também outras estruturas


Não bastam leituras conhecidas

Os vieses restritivos, aprovados

A teoria dominante, fomentada

Há também outras ligações


Leio, releio


Ler é ato que requer

Requer algo que não conhecemos

Algo que surgirá nas leituras


Ler é ato que entrega

Entrega algo que já sabemos

Algo que ampliará nas leituras


Leio, releio


Os fatos adquirem mais valor

As noções ganham potências


As fases pedem mais ensejo

Os conflitos largam certezas


Leio, releio


9. Gana pela vida


Fazer esforço?

Perdoar tropeços?

O que devo fazer para manter?

Manter a gana pela vida


Fazer sonhos?

Implorar recurso?

O que devo fazer para aceitar

Aceitar a gana pela vida


Gana pela vida


A batalha lacrada

Escolhida dos juízos alheios

Conhecida apenas pelo espírito

Aborrecida com os atalhos inventados


A batalha omitida

Informada dos limites alheios

Amparada apenas pela mente

Chateada com os méritos renovados


Gana pela vida


Vida, como é pesado manter a gana

Os problemas dispersam detalhes

Detalhes que eu preciso analisar

Mas como analisar na era da rapidez?


Vida, como é usual perder a gana

Os interesses confinam direções

Direções que eu prefiro ignorar

Mas como ignorar na era da novidade?


Gana pela vida


Fórmulas existem

A gana pela vida tem bajuladores

Apoiadores de antiga visão otimista

Que não sucumbem ao estrondo dos rumores


Enganos existem

A gana pela vida tem zombadores

Apoiadores de antiga visão pessimista

Que não suportam ao sossego dos clamores


Gana pela vida


10. Tecer o passado


Nos momentos de ócio teço o passado

Imagino o que as pessoas sentiram


Nas lacunas da história teço o passado

Escrevo o que as pessoas disseram


Nas feridas do grupo teço o passado

Desenho o que as pessoas temiam


Nas risadas de sorte teço o passado

Projeto o que as pessoas sofreram


Teço o passado


O tecido do passado é tênue

Vira conforme o peso que impacta


O tecido do passado é oculto

Mostra conforme a praça que escava


O tecido do passado é precioso

Brilha conforme o prisma que examina


O tecido do passado é disputado

Some conforme o gosto que ordena


Tecer o passado


Passado, preserve seu tecido!

Ele está destroçado


Passado, oriente seu tecido!

Ele está enganado


Passado, estime seu tecido!

Ele está ofendido


Passado, reforce seu tecido!

Ele está dividido


Tecer o passado


A roupa admirada

A tenda esquecida


O lençol tingido

O filtro aquecido


A rede balançada

A cortina exaurida


O adorno contido

O tapete recebido


Tecer o passado


11. Rotina


Não tenho rotina

A desejo no dia a dia

Porém, vem algo em surdina

E abala a organização


Não cultivo rotina

A desejo no cara a cara

Porém, vem algo em temporal

E derruba a plantação


Rotina


Leituras que começo e não termino

Versos que projeto e não executo

Roupas que lavo e não reparo

Notícias que escuto e não penso


Músicas que admiro e não digo

Afetos que pergunto e não entendo

Opções que procuro e não decido

Batalhas que avanço e não venço


Rotina


Destino, acaso que desata a certeza

Problema, solução que reduz a surpresa

Rotina, castigo que limita a beleza


Lógica, imperícia que mergulha o navio

Desapego, simpatia que aprova o feitio

Rotina, benção que amplia o desafio


Rotina


Rotina que tento mudar, embora cansado

Quase derrubo a meta do equilíbrio perfeito

Ajeito as sobras do que foi confrontado


Rotina que tento aceitar, embora inquieto

Quase lanço o fim do preceito repetido

Bagunço as fibras do que está secreto


Rotina


Teste de uma nova lista de roteiros

Há vigores e formas de adiantar


Teste de uma antiga fonte de tarefas

Há molezas e formas de protelar


Rotina


Apoio, se a rotina for produtiva

Percebida por interesseira economia


Repúdio, se a rotina for esquecida

Julgada por rotineira convenção


Rotina


12. Desconfiado


A ação não concluída

O segredo escavado

A tristeza consentida

O pavor não expulsado


A agonia não refletida

O interesse aumentado

A fronteira redigida

O plano não confirmado


Desconfiado


Desconfio 

Ruídos nas afirmações

Frases evitadas

Presenças insistidas


Desconfio

Silêncios nas recordações

Emoções pausadas

Cautelas derretidas


Desconfiado


A desconfiança entranhada

O riso satisfeito na barriga

A camada de enganos

O brilho simultâneo a quantia

Exemplos de garantias prometidas


A desconfiança externada

O passo exitoso na fadiga

A dureza de espantos

O hiato posterior a ideia

Exemplos de respostas contorcidas


Desconfiado


Desconfie

O laço é repisado na competição

A letra é confundida no alvoroço


Desconfie

A labuta é conduzida no devaneio

O pedido é fincado na serventia


Desconfiado


13. Porta para enlouquecer


A porta para enlouquecer

Essa eu fecho quase totalmente

Muitos antes de me recolher

Antes até de acordar


A porta para enlouquecer

Essa eu vigio quase totalmente

Muito antes de me arrepender

Antes até de inventar


Porta para enlouquecer


Tenho fixação nessa porta

Essa porta guarda minha sanidade

O histórico genealógico pode voltar

O preparo é melhor que o desatino


Tenho medo dessa porta

Essa porta guarda meu equilíbrio

A obra poética pode refutar

A pesquisa é melhor que o improviso


Porta para enlouquecer


Loucura não é a sina do poeta?

A loucura traz o resultado do torneio?

Quero combater! Quero enganar!

Consigo contornar a porta?


Loucura não é a paga do escritor?

A loucura traz o efeito do gracejo?

Quero escapar! Quero resolver!

Consigo atravessar a porta?


Porta para enlouquecer


Perguntem a porta!

O mistério da loucura 

A escolha da falência

Convoquem o inventário


Ignorem a porta!

O descaso da loucura

A entrega do interesse

Rechacem a herança


Porta para enlouquecer


14. Eu, Catálogo


Depósito de informações ancestrais, atuais

Sumário de imperfeições pessoais, grupais

Arquivo de peças cultuadas, apagadas


Crônica de assuntos cordiais, bélicos

Resumo de fatos aprovados, rebatidos

Fichário de documentos relevantes, triviais


Eu, Catálogo


Me dizem: Você é inteligente

Eu penso: Não, apenas sei muitas coisas

Vantagem ou prejuízo


Me pergunto: Saber algo acrescenta?

Eu respondo: Sim, segundo o objetivo

Obstáculo ou possibilidade


Eu, Catálogo


Catálogo que se transforma

Catálogo vivo que impressiona

Catálogo que questiona a parte oficial


Catálogo que se dedica

Catálogo eterno que passeia

Catálogo que manifesta outras partes


Eu, Catálogo


Ata de reuniões criativas, repressoras

Ofício de ordens diretas, introspectivas

Bilhete de conselhos úteis, confusos


Prova de questões objetivas, subjetivas

Carta de notícias escondidas, reveladas

Dedicatória de livros misteriosos, famosos


Eu, Catálogo


Me dizem: Você pergunta muito

Eu penso: Sim, tenho muitas dúvidas

Suporte ou reprimenda


Me pergunto: Desconhecer algo perturba?

Eu respondo: Não, segundo a pessoa

Artimanha ou correção


Eu, Catálogo


Catálogo que se interessa

Catálogo diverso que ambiciona

Catálogo que escolhe o enfoque crítico


Catálogo que se espalha

Catálogo orientado que convida

Catálogo que permite outros enfoques


Eu, Catálogo


Revista de artigos repetidos, raros

Fábula de deveres esperados, rejeitados

Cardápio de pratos conhecidos, inventados


Panfleto de lojas simples, suntuosas

Contrato de cláusulas reais, duvidosas

Declaração de dívidas forçadas, escolhidas


Eu, Catálogo


Eu, Catálogo

Eu, Catálogo

Eu, Catálogo


15. Otimizar


Otimização de tempo

Milhares de segundos

Otimização de tempo

Fontes de absurdos


Otimização da faxina

Milhares de poeiras

Otimização da faxina

Subidas de ladeiras


Otimizar


Otimização do afeto

Milhares de cuidados

Otimização do afeto

Testes de telhados


Otimização do íntimo

Milhares de problemas

Otimização do íntimo

Críticas de sistemas


Otimizar


"Não perca o tempo"

"O ócio é perigoso"

Se me recolho ao sepulcro

Vingará o meu esforço?


"Não perca o tempo"

"A ideia é perigosa"

Se me dedico ao costume

Pegará a minha revolta?


Otimizar


"Ganhe dinheiro"

"A arte não é rendosa"

Se me amarro ao tesouro

Criará a minha obra?


"Ganhe dinheiro"

"O raro não é rendoso"

Se me regulo ao formato

Verterá o meu arrojo?


Otimizar


Otimize

Sonho é extrato?


Otimize

Poema é sustento?


Otimizar


Otimize

Música é imóvel?


Otimize

Filosofia é serviço?


Otimizar


16. Outros lados


Ser um só, apenas chato

Não me convence

Quero outros lados


Ser um livro, apenas calmo

Não me enlaça

Faço outros lados


Outros lados


18 livros, apenas traço

Não me exprime

Levo outros lados


5 anos, apenas átimo

Não me defende

Ganho outros lados


Outro lados


Não acreditei que teria tantos lados

Lados que eu não fomentava

Lados já abandonados


Não acreditei que diria tantos lados

Lados que eu não planejava

Lados já resignados


Outros lados


Não acreditei que olharia outros lados

Lados que não concordava

Lados já apreciados


Não acreditei que juntaria outro lados

Lados que não amparava

Lados já fragmentados


Outros lados


A ruptura e a continuidade dos lados

O descanso e o confronto dos lados

A justiça e a maldade dos lados

O estrago e o remendo dos lados


Outros lados


Lados! Expliquem!

Lados! Outros lados!


Lados! Venham!

Lados! Outros lados!


Outros lados


É proibida a reprodução desta obra sem a devida citação/menção do autor.


Todos os direitos reservados.

No vazio (da passagem) - As lacunas de Felipe Prasino (2025). Obs:. 17° livro de Felipe Prasino.

Cor: Índigo


Símbolo matemático: conjunto vazio


Temas: Vazio, falta, subjetividade, espera, mergulho, cotidiano, exagero, esvaziamento, direitos, experiência, cumprimento, direção, afastamento, reorganização, preenchimento, passagem


Data aproximada de escrita: janeiro, fevereiro e março de 2025


1. Ninguém me preencheu


Nunca tive ninguém

Ninguém nunca me teve

Eu quis impor um porém

A recusa não me deteve


Nunca olhei ninguém

Ninguém nunca me olhou

Eu quis ficar mais aquém

O alarme não me agradou


Nunca acudi ninguém

Ninguém nunca me acudiu

Eu quis pensar um além

A penúria não me iludiu


Nunca motivei ninguém

Ninguém nunca me motivou

Eu quis juntar mais vintém

O colapso não me alarmou


Ninguém me preencheu


Esperei

Que respondessem tudo que me movimentou

Desejei

Que acolhessem tudo que me acompanhou


Convoquei

Que repensassem tudo que me transformou

Provoquei

Que recolhessem tudo que me descontrolou


Ninguém me preencheu


A ciência, a religião

A união, a consciência

Não me preencheram


A arte, a natureza

A paz, a filosofia

Não me preencheram


Ninguém me preencheu


A falta de algo, a sexualidade

A sensação da completude

Não me preencheram


A evolução, a solitude

A noção da transitoriedade

Não me preencheram


Ninguém me preencheu


2. Subjetivo


Vivo na minha cabeça

Não ajo com muito viço

Duvido do que me oferecem

Não moldo os atos do mundo


Vivo na minha cabeça

Não ajo com muito relevo

Desvio do que me enviam

Não dito os medos da vida


Subjetivo


Dentro de mim, vivo

O eu interior me provoca

Fora de mim, aguento

O eu exterior me incomoda


Dentro de mim, creio

O eu introvertido me salva

Fora de mim, observo

O eu extrovertido me roga


Subjetivo


Divirto-me por dentro

Espero-me por fora

O problema é o equilíbrio

A resposta me impacta


Refaço-me por dentro

Situo-me por fora

O sentimento é o balanço

A loucura me questiona


Subjetivo


Dentro dos meus escritos, detalho

O passado me acompanha

Fora dos meus gritos, estaco

O presente me impressiona


Dentro das minhas ideias, transcedo

A amizade me aconselha

Fora das minhas traqueias, murcho

A inimizade me entristece


Subjetivo


A palavra me atravessa

A teoria me vincula

Subjetivo


A ação me revela

A prática me perturba

Subjetivo


3. Esperar


Esperar

Que o poema chegue

Que a ideia se apresente


Esperar

Que a voz questione

Que a pausa se complete


Esperar

Que a guerra desmorone

Que a bagunça se propague


Esperar

Que o desprezo rotule

Que a ignorância se louve


Esperar


Esperar por pessoas que não poderei

alcançar

Esperar por distinções que não poderei alterar


Esperar por direitos que não poderei conservar

Esperar por provocações que não poderei evitar


Esperar


Não consigo bater de frente com o mundo

Ele é mais poderoso, mais apoiado

Sou um mero corpo esquecido


Não consigo encarar de frente a maldade

Ela é mais ardilosa, mais valorizada

Sou um mero ser recolhido


Esperar


Um dia algo se assentará

Não posso move-lo

Não poderei regula-lo


Um dia algo se mostrará

Não posso conte-lo

Não poderei irrita-lo


Esperar


4. Águas que mergulho


Não quero performar gênero

Não quero reforçar nada

Tentar me enquadrar foi fatal

Quase me levou ao esgotamento


Não quero perpetuar crítica

Não quero incomodar nada

Tentar me destacar foi banal

Quase me levou ao esquecimento


Eu e as minhas divagações

Eu e as minhas travessias

Repeli as observações

Codifiquei as entrelinhas


Eu e os meus devaneios

Eu e os meus redemoinhos

Lapidei os isolamentos

Relancei os problemas


Águas que mergulho


Entro em piscinas, mares, oceanos

Lacunas, narrativas, conexões


Me esqueço em derrotas, lidas, partidas

Alegrias, pausas, focos


Me ensaio em procuras, luzes, caminhadas

Subidas, arquivos, rascunhos


Saio de disputas, poderes, avarezas

Faltas, confusões, apegos


Águas que mergulho


Mergulho onde?

No que está saturado?

No que dá polêmica? 


Mergulho onde?

No que não foi explorado?

No que não teve repercussão?


Onde estão essas águas?

No meu inconsciente?

No meu cérebro?


Onde estão essas águas?

Nas minhas células?

Na minha alma?


Águas que mergulho


5. O vazio no cotidiano


Filho da inconstância

Filho da preocupação

Aluno da desconfiança

Aliado da demolição


Filho da escassez

Filho da composição

Aluno da sensatez

Aliado da revelação


Tempo vazio

Templo vazio

Remo vazio


Centro vazio

Cetro vazio

Vento vazio


O vazio no cotidiano


Filho da doença

Filho da alienação

Aluno da desavença

Aliado da provocação


Filho da paciência

Filho da superação

Aluno da experiência 

Aliado da discussão


Ódio vazio

Dito vazio

Medo vazio


Afeto vazio

Esteio vazio

Voto vazio


O vazio no cotidiano


O vazio no cotidiano

A recusa sem pensamento

O discurso conquistando

A lamúria sem momento


O vazio no cotidiano

A ajuda sem fundamento

O engodo convocando

A miséria sem aposento


Vazios existem

Temos condições, opiniões

Isso isenta a existência do vazio?


Vazios existem

Temos julgamentos, movimentos

Isso isenta a permanência do vazio?


O vazio no cotidiano tende a se camuflar

Tende a se enganar ainda mais


O vazio no cotidiano


6. Tempestades (Exageros de um poeta)


Mudo em pontos que não mudava

Tentei combater um princípio

Lembro de pontos que não lembrava

Voltei a proteger um ofício


Provo as palavras que não provava

Falhei em arquitetar um martírio

Olho por palavras que não olhava

Cheguei a despertar um delírio


Exageros

Tempestades de um poeta


Uns se soltando

Outros se fechando

Eu no meio da tempestade

Será que ficarei boiando?


Uns se arruinando

Outros se revelando

Eu no meio do cataclisma

Será que dormirei gritando?


Exageros

Tempestades de um poeta


Mentiras adoradas

Sensos esquecidos

Violências camufladas

Contrastes escolhidos


Instruções afastadas

Prazos descumpridos

Atenções espalhadas

Motivos suprimidos


Exageros

Tempestades de um poeta


Não aturam as diversidades

Acreditam na limitação

Incentivam a padronização


Não impedem as dificuldades

Ferem na omissão

Escolhem a perpetuação


Exageros

Tempestade de um poeta


7. Esvaziar


Será o desejo vazio?

O apoio inconsequente?

Devo ocultar o feitio?

Como esvaziar o inconsciente?


Será o desastre inevitável?

O apagamento conveniente?

Devo tolerar o improvável?

Como alcançar o transcendente?


Esvaziar


Há mais de cinco anos tento me preencher

Foram muitos poemas, livros, ideias e sonhos


Há mais de alguns meses tento me esvaziar

Foram muitos erros, perdas, acidentes e desilusões


Esvaziar


A obrigação da completude me incomoda

Parece errado estar vazio, com dúvidas

Estar desperto em meio as inundações


A confusão da indiferença me assusta

Parece certo estar alienado, com certezas

Estar contente em meio as futilidades


Esvaziar


Passarei a vida escrevendo?

Conseguirei me estruturar?

Será medo da mentira?

Será hábito de questionar?


Alcançarei a paz comovendo?

Buscarei me atrapalhar?

Será culpa da consciência?

Será vontade de compensar?


Esvaziar


Esvaziar e colocar o que no lugar?

Esvaziar não é tentar se libertar?


Esvaziar


8. Chuva de direitos


Quero chuva

Quero aconhego

Não quero um monte de desprezo


Não quero luta

Não quero medo

Eu quero uma torre de respeito


Quero chuva

Quero telhado

Não quero um prédio sem reparo


Não quero rusga

Não quero estrato

Eu quero uma terra sem conhavo


Chuva de direitos


Cadê a chuva?

Chuva que traz sossego

O incentivo racional


Cadê a chuva?

Chuva que traz emprego

O alimento essencial


Cadê a chuva?

Chuva que traz empatia

O cuidado habitual


Cadê a chuva?

Chuva que traz alegria

O descanso natural


Chuva de direitos


Não irão mais dominar

Enganar, zangar

Venha, chova!


Não irão mais disfarçar

Castigar, quebrar

Venha, chova!


Não irão mais instigar

Segurar, atacar

Venha, chova!


Não irão mais assustar

Humilhar, retirar

Venha, chova!


Venha, chuva de direitos!

Venha, chova!


Chuva de direitos


9. Passar!


Passar!

Já foi o desejo de chorar

Já foi o desejo de parar

Passar!


Passar!

Já foi o desejo de calar

Já foi o desejo de provar

Passar!


Passar!


Passar!

Já foi o desejo de mandar

Já foi o desejo de aprovar

Passar!


Passar!

Já foi o desejo de agradar

Já foi o desejo de brilhar

Passar!


Passar!


Ficar triste, e definhar?

Não! Passar!

Ficar hirto, e esperar?

Não! Passar!


Ficar louco, e atrapalhar?

Não! Passar!

Ficar vazio, e entulhar?

Não! Passar!


Passar!


Um jeito de contestar? Passar!

Um jeito de expressar? Passar!

Um jeito de incomodar? Passar!


Uma chance de embelezar? Passar!

Uma chance de mergulhar? Passar!

Uma chance de aproximar? Passar!


Passar!


Até a tranquilidade prosperar? Passar!

Até a experiência recuperar? Passar!


Passar!


10. Falhei em minha passagem?


Não protegi o espelho

Da flecha, do escudo

Falhei?


Não mascarei a vitrine

Do golpe, da enchente

Falhei?


Não procurei o poder

Da fama, do momento

Falhei?


Não descrevi o barulho

Do medo, do dissabor

Falhei?


Falhei em minha passagem?


Não escrevi o detalhe

Da história, do desejo

Falhei?


Não provoquei a mudança

Da ferida, da companhia

Falhei?


Não costurei a estima

Do olhar, do lembrete

Falhei?


Não recebi a garantia

Do saber, do conteúdo

Falhei?


Falhei em minha passagem?


A passagem é penosa?

Tenho que esvazia-la?

A passagem conforta?

Tenho que adorna-la?


A passagem é interessante?

Tenho que preenche-la?

A passagem constrange?

Tenho que estende-la?


Falhei em minha passagem?


Passagem falha tem qualidade?

Passagem falha tem liberdade?


Falhei em minha passagem?


11. Entender a estrada


Entender a estrada é difícil

A regra não é protegida

O jardim é esquecido

A folha não é definida


Entender a estrada é difícil

A vinha não é dividida

O vento é preterido

A chuva não é recolhida


A estrada no seu costumeiro vazio

A estrada na sua misteriosa incerteza


Entender a estrada


Entender a estrada é fatigante

A palavra é distorcida

O tempo é resumido

A vitória é produzida


Entender a estrada é fatigante

A torcida é repetida

O lugar é atingido

A refeição é decidida


A estrada no seu simpático vazio

A estrada na sua horrível incerteza


Entender a estrada


A estrada que não é ignorante

A estrada que não é conduzida

A estrada que não é acomodada


A estrada que não é mentirosa

A estrada que não é beligerante

A estrada que não é competitiva


Entendam essas estradas


A estrada que não é intolerante

A estrada que não é orgulhosa

A estrada que não é agressiva


A estrada que não é limitante

A estrada que não é avarenta

A estrada que não é maldosa


Entendam essas estradas


12. A permanência da falta


A permanência da falta

A maquiagem do vazio

A frequência da raiva

A roupagem do susto


A permanência da falta

A fragilidade do abrigo

A tendência da briga

A leviandade do preço


A permanência da falta


Consumismo, poder

A falta permanece

Não se importam em aprova-la


Extremismo, mentira

A falta permanece

Não se importam em divulga-la


A permanência da fala

Conservam os erros

Evitam os acertos

"Pra que me dedicar ao todo"?


Provocam os pequenos

Bajulam os grandes

"Pra que me amarrar ao outro"?


A permanência da falta


Repelimos a falta?

Enfrentamos os conceitos?

Acordamos os efeitos?

Requeremos os direitos?


Atraímos a falta?

Prolongamos os defeitos?

Toleramos os confeitos?

Comovemos os eleitos?


A permanência da falta


Jamais refletiu nisso?

Viu? A permanência!


Jamais reparou nisso?

Viu? A permanência!


13. Afastamento


Afastamento

De quem pensei que era parecido a mim

Afastamento

De quem eu provei que era longe de mim


Afastamento

De quem implorei que era certo para mim

Afastamento

De quem eu inventei que gostava de mim


Afastamento


Afastei

De quem não sabe recusar

Afastei

De quem não cabe ensinar


Afastei

De quem não sabe procurar

Afastei

De quem não cabe criticar


Afastamento


Afastando

Quem só sabe difamar

Afastando

Quem só curte atazanar


Afastando

Quem só sabe arruinar

Afastando

Quem só curte controlar


Afastamento


Afastarei

Os mentirosos, arrivistas

Afastarei

Os lamentosos, narcisistas


Afastarei

Os avarentos, convencidos

Afastarei

Os briguentos, distraídos


Afastamento


14. Reorganizar


Reorganizar

As lágrimas

Os livros

Os pedidos


Reorganizar

As faltas

Os temas

Os conflitos


Reorganizar

As escolhas

Os cursos

Os sonhos


Reorganizar

As saudades

Os bilhetes

Os votos


Reorganizar


Sei que ando triste

Preciso confrontar a causa

A lacuna me agride

Gostar demais me piora


Sei que vivo tímido

Preciso resolver o trauma

O abandono me choca

Sentir demais me isola


A organização cura?

A organização revela?


A organização ampara?

A organização distribui?


Reorganizar


Reorganizar além das coisas materiais

O que é pouco intrigante, lucrativo

O que é pouco triunfante, chamativo


Reorganizar além das coisas espirituais

O que é muito deturpado, ignorante

O que é muito espalhado, dominante


Reorganizar além das coisas universais

O que é muito evitado, irritante

O que é muito cercado, mitigante


Reorganizar além das coisas regionais

O que é pouco viajante, inventivo

O que é pouco aspirante, expressivo


Reorganizar o vazio, a passagem

Reorganizar a estima, o vínculo


Reorganizar


15. Preencher


Sabe o que quero

Não quis atender

Sabe que eu zelo

E tento conhecer


Sabe o que detesto

Não quis afastar

Sabe que eu espero

E tento reformar


E faço o que?

Impeço você

Volto a mercê

Querendo me preencher


Diz "nossa amizade"

Não indica meu trabalho

Diz "nossa família"

Não lembra do afeto


Diz "meu amor"

Não descobre meu gosto

Diz "meu modelo"

Não aceita meu defeito


E faz o que?

Tenta correr

Recusa o bufê

Querendo te preencher


Preencher pessoas

Preencher ideias

Preencher ações

Preencher plateias


Preencher terras

Preencher ausências

Preencher séculos

Preencher vivências


Fazemos o que?

Comparo vocês?

Valido o clichê?

Querendo nos preencher


Preencher...

Preencher

Preencher...

Preencher...


16. No vazio (da passagem)


No vazio

(da passagem)

Reuso o que provei


No vazio

(da passagem)

Recuso o que cobrei


No vazio

(da passagem)

Entulho o que mostrei


No vazio

(da passagem)

Debulho o que cessei


No vazio

(da passagem)


No vazio

(da passagem)

Liberei a alma?


No vazio

(da passagem)

Revirei o fato?


No vazio

(da passagem)

Alcancei o povo?


No vazio

(da passagem)

Refundei a arte?


No vazio

(da passagem)


Dívidas reavivadas

Buscas nas fases

Vazio


Decepções esperadas

Risos nas lembranças

Passagem


Escolhas superficiais

Prudências no tempo

Vazio


Trabalhos estressados

Bocejos no tumulto

Passagem


No vazio

(da passagem)


Coragem no vazio, na passagem!

Esperança no vazio, na passagem!


É proibida a reprodução desta obra sem a devida citação/menção do autor.


Todos os direitos reservados.



segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Esparsos e Reunidos - As variedades de Felipe Prasino (2024). Obs:. 16° livro de Felipe Prasino.

Cor: Bordô


Símbolo matemático: Parênteses


Temas: Superação, convenções sociais, homossexualidade, permanências, empatia, memorização, cancelamento, normalidade, fama, saúde, complexidade


Data aproximada de escrita: setembro, outubro, novembro e dezembro de 2024


1. Segui sem você


Seu jeito narcisista, vitimista

Pessimista

Me entristecia pra valer

Segui sem você


Seu jeito desdenhoso, orgulhoso

Desastroso

Me convidava pra sofrer

Segui sem você


Pode isso?

Me arruinar?

Me desgastar?

Por uma pessoa que não vai me ajudar?


Pode isso?

Me adoecer?

Me condoer?

Por uma pessoa que não vai me entender?


Segui sem você


Seu jeito carente, envolvente

Incoerente

Me conduzia pra acolher

Segui sem você


Seu jeito instável, notável

Detestável

Me avisava pra perdoar

Segui sem você


Posso isso?

Me humilhar?

Me esforçar?

Por uma pessoa que não vai me acrescentar?


Pode isso?

Me ofender?

Me encolher?

Por uma pessoa que não vai me agradecer?


Segui sem você


2. Eu não cumpri nenhuma delas


Tentando ser o maioral

Um peso em vez de suporte

Buscando ser o trivial

Um muro antes que transporte


Querendo ser o importante

Um prêmio em vez de virtude

Perdendo ser o brilhante

Um hiato em vez de atitude


A masculinidade e a homossexualidade têm regras

Eu não cumpri nenhuma delas


Tentando ser o diferente

Um desejo em vez de relação

Buscando ser o ausente

Um corpo em vez de afeição


Querendo ser o normal

Um acordo em vez de revolução

Perdendo ser o essencial

Um círculo em vez de inspiração


A masculinidade e a homossexualidade tem regras

Eu não cumpri nenhuma delas


Ser viril, ser delicado

Tão hostil, tão odiado

Ser gentil, e adorado


Ser forte, tão pequeno

Tão norte, tão obsceno

Ser consorte, e sereno


A masculinidade e a homossexualidade têm regras

Eu não cumpri nenhuma delas


Ser carinhoso, ignorante

Tão generoso, tão pedante

Ser formoso, e brilhante


Ser inteligente, tão maçante

Tão presente, tão frustante

Ser coerente, e vigilante


A masculinidade e a homossexualidade têm regras

Eu não cumpri nenhuma delas


3. Olhos doces


Como eu queria entender

Esses seus olhos doces

Como eu queria romper

Todos os ódios torpes


Como eu queria amparar

Esses seus olhos doces

Como eu queria enfrentar

Todos os medos torpes


Olhos doces

Com sonhos

Desejos e problemas


Olhos doces

Com deveres

Trabalhos e poemas


Olhos doces

Com famílias

Amizades e uniões


Olhos doces

Com chances

Respeitos e canções


Como eu queria inspirar

Esses seus olhos doces

Como eu queria apontar

Todos os contos torpes


Como eu queria reler

Esses seus olhos doces

Como eu queria deter

Todos os ditos torpes


Olhos doces

Com hortas

Obras e louvores


Olhos doces

Com remédios

Cálculos e valores


Olhos doces

Com ideias

Ensaios e projetos


Olhos doces

Com técnicas

Desenhos e trajetos


4. Algo nunca muda (Nada está bom)


Ontem a fogueira

Hoje o cancelamento

Sempre a cegueira

Nunca o questionamento


Ontem a contenda

Hoje o depósito

Sempre a emenda

Nunca o propósito


Algo nunca muda, né?

Nada está bom


Ontem a repressão

Hoje o alheamento

Sempre a divisão

Nunca o melhoramento


Ontem a pilhéria

Hoje o costume

Sempre a miséria

Nunca o perfume


Algo nunca muda, né?

Nada está bom


Ontem a vestimenta

Hoje o emprego

Sempre a tormenta

Nunca o sossego


Ontem a renúncia

Hoje o alimento

Sempre a pronúncia

Nunca o pagamento


Algo nunca muda, né?

Nada está bom


Ontem o descaso

Hoje a preocupação

Sempre o atraso

Nunca a reparação


Ontem a ambição

Hoje o desprendimento

Sempre a provocação

Nunca o entendimento


Algo nunca muda, né?

Nada está bom


5. Você entende?


O que você deseja

Quem você deseja

Te estimaria?


O que você procura

Quem você procura

Te procuraria?


Você entende

Não tenho paciência

Os jogos não me interessam

Não tenho tempo para isso


Você entende

Me diga o que está sentindo

A verdade não me incomoda

Não tenho vergonha disso


O que você questiona

Quem você questiona

Te questionaria?


O que você retoma

Quem você retoma

Te retomaria?


Você entende?

Não tenho fortuna

Os sonhos não me preenchem

Não tenho sede para isso


Você entende?

Me diga o que está planejando

A inércia não me protege

Não tenho raiva disso


A maldade

A trapaça

A falta de amparo

Te induziriam?


A vaidade

A preguiça

A falta de assunto

Te construiriam?


Você entende?

Você entende o que te motiva?


Você entende?

Você entende o que te vincula?


6. Não sei decorar conceitos


Não sei decorar conceitos

São tantos que perdi as contas

Não sei ignorar trejeitos

São vários que combati as afrontas


Não sei decorar conceitos

São tantos que temi a loucura

Não sei ignorar respeitos

São vários que repeli a amargura


Conceitos antigos

Modernos, contemporâneos

Superados, amigos

Eternos, instantâneos


Conceitos científicos

Filosóficos, espirituais

Gerais, específicos

Catastróficos, habituais


Não sei decorar conceitos


Não sei decorar conceitos

São cursos que perdi a lembrança

Não sei aumentar confeitos

São muitos que combati a segurança


Não sei decorar conceitos

São tantas que temi a lacuna

Não sei ignorar efeitos

São muitos que repeli a fortuna


Conceitos dogmáticos

Pragmáticos, harmoniosos

Agressivos, democráticos

Traumáticos, perigosos


Conceitos artísticos

Bonitos, dedicados

Responsáveis, críticos

Favoritos, preservados


Não sei decorar conceitos


Não consigo decorar meus poemas

Vou decorar conceitos?


Não consigo decorar meus dilemas

Vou decorar conceitos?


7. Olhos tristes


Comparei seus olhos tristes

Era o efeito da condição

Em muitos vi os medos firmes

Não contornava a solidão


Indaguei seu olhos tristes

Era o efeito da divisão

Em muitos vi os jeitos firmes

Não contornava a ingratidão


Olhos tristes


Querido

Eu não quero ver seus olhos tristes


Provoquei seus olhos tristes

Era o efeito da imprecisão

Em muitos vi os ideais firmes

Não contornava a opressão


Destaquei seus olhos tristes

Era o efeito da opinião

Em muitos vi os valores firmes

Não contornava a repetição


Olhos tristes


Querido 

Eu não quero ver seus olhos tristes


Não consigo suportar seus olhos tristes

Esse olhos me causam aflição

Apesar de continuar tão firmes

Esses olhos me revelam incompreensão


Não consigo ajudar seus olhos tristes

Esses olhos me sucitam precaução

Apesar de aguardar tão firmes

Esses olhos me revelam identificação


Olhos tristes


Querido

Eu não quero ver seus olhos tristes


Em que data essa tristeza acabará?

A nossa fortaleza consiste em escrever?


Em que região essa tristeza acabará?

A nossa proeza consiste em defender?


Olhos tristes


Querido

Eu não quero ver seus olhos tristes


8. Reis cancelados


O rei cancelado ficou triste

O rei cancelado adoeceu

Seu mundo já está ultrapassado

A sua dita fama já morreu


O rei cancelado ficou pasmo

O rei cancelado enlouqueceu

O mundo não está romantizado

A sua dita força já cedeu


Ei rei, seu triunfo já passou

Sua turma já andou

O seu brilho não durou


Ei rei, é melhor se adaptar

Tá na hora de buscar

Não se pode ocultar


Reis cancelados

Não estão sendo armados

Já estão incomodados

Por frotas rechaçados


Reis cancelados

Não estão sendo lembrados

Já estão abandonados

Por aldeias criticados


Reis cancelados

Não estão sendo guardados

Já estão expatriados

Por famílias destronados


Reis cancelados

Não estão sendo chamados

Já estão excomungados

Por igrejas condenados


Ei rei, seu legado já cansou

Sua fúria já baixou

O seu erro não vingou


Ei rei, é melhor se conformar

Tá na hora de indagar

Não se pode tapear


Reis cancelados

Não seram auxiliados


Reis cancelados

Não serão apreciados


9. Sou normal?


O bocejo eu tenho muito

O trabalho eu tenho pouco

Na pegada do fortuito

Ilusão me deixa louco


Me seguro, me contorço

Evitando me estressar

Não esqueço do esforço

Pra tentar me conformar


O ensejo eu tenho muito

O sumiço eu tenho pouco

Na pegada do intuito

Solidão me deixa louco


Me misturo, me distorço

Evitando me entregar

Não esqueço do reforço

Pra tentar me alegrar


Sou normal?


Um jardim em estilo Art Nouveau

Uma sala em estilo Art Decó

Decorando tudo misto

Imagino que é retrô


Um poema com rimas comuns

Uma canção com notas apuradas

Reunindo tudo esparso

Imagino as trapalhadas


Uma estágio com falas ilógicas

Uma partida com ideias reduzidas

Querendo tudo pronto

Imagino as medidas


Uma pasta em pilha estreita

Um jogo em caixa distante

Repondo tudo tenso

Imagino a estante


Sou normal?


Me convenço que não sou normal

Olha os meios acertados!


Me convenço que não sou normal

Olha os temas aplicados!


10. Ser só VIP


Flashes toda hora

Cabelo, maquiagem

Coisa da imagem

De ser só VIP


Autógrafos toda hora

Tietes, paparazzi

Coisa da imagem

De ser só VIP


Ser só VIP

Na capa da revista

Ou na fala de um filme


Ser só VIP

Na tela do outdoor

Ou na cena de um clipe


Na cena de um clipe

Na cena de um clipe


Very Importante Person


Críticos toda hora

Acertos, trairagens

Coisa da imagem

De ser só VIP


Atritos toda hora

Erros, vaidades

Coisa da imagem

De ser só VIP


Ser só VIP

No programa da TV

Ou na festa de um hit


Ser só VIP

Na live com os fãs

Ou na venda de um kit


Na venda de um kit

Na venda de um kit


Very Important Person


Roupas toda hora

Calçados, repostagem

Coisa da imagem

De ser só VIP


Desafios toda hora

Estilos, reportagem

Coisa da imagem

De ser só VIP


Ser só VIP

No ato de uma peça

Ou na hora de um clique


Ser só VIP

No meio da partida

Ou na hora de um tique


Na hora de um tique

Na hora de um tique


Very Important Person


11. Ficará conosco?


Ficará conosco?

As medidas se chocam

Ficará conosco?

Os afetos se afastam


Ficará conosco?

As feridas se agravam

Ficará conosco?

Os conflitos se alastram


Ficará conosco?

As bebidas se trincam

Ficará conosco?

Os saberes se findam


Ficará conosco?

As torcidas se assolam

Ficará conosco?

Os desejos se trocam


Poucos ficarão


Ficará conosco?

Os espelhos se quebram

Ficará conosco?

Os coelhos se revelam


Ficará conosco?

Os conselhos se esquecem

Ficará conosco?

Os joelhos se enrijecem


Ficará conosco?

As cantigas se apagam

Ficará conosco?

As bexigas se estragam


Ficará conosco?

As urtigas são aceitas

Ficará conosco?

As fadigas são refeitas


Poucos ficarão


Pense em quem ficará contigo

Quando não existir respostas


Pense em quem ficará contigo

Quando não existir propostas


Pense em quem ficará contigo

Quando só existir momentos


Pense em quem ficará contigo

Quando só existir lamentos


Poucos pensarão


Ficará conosco?

Poucos importarão


12. A base também desaba


A base também desaba

Se o peso não for dividido

A base também desaba

Se o remorso não for conhecido


A base também desaba

Se o gênero não for debatido

A base também desaba

Se o respeito não for seguido


A base também desaba

Ao contrário do que muitos inventam


A base também desaba

Se o saber não for melhorado

A base também desaba

Se o tempo não for apontado


A base também desaba

Se o desprezo não for rechaçado

A base também desaba

Se o motivo não for estudado


A base também desaba

Ao contrário do que muitos comentam


A base da sociedade

Algo que afirmam escutar

Algo que poucos se importam

Algo que adoram separar


A base da sociedade

Algo que figuram resguardar

Algo que poucos auxiliam

Algo que demoram libertar


A base da sociedade também desaba

Ao contrário do que muitos ostentam


A base da sociedade

Algo que procuram limitar

Algo que poucos entendem

Algo que permitem maltratar


A base da sociedade

Algo que estimam atarefar

Algo que poucos se comovem

Algo que assistem definhar


A base da sociedade também desaba

Apesar do que muitos orientam


13. Não me adoecerão


As coisas que não retornei

As pessoas que não disfarcei

Não me adoecerão


Os erros que não reparei

Os medos que não contornei

Não me adoecerão


Os versos que não suportei

Os focos que não apurei

Não me adoecerão


As lacunas que não ocupei

As histórias que não reparei

Não me adoecerão


Ninguém irá me adoecer

Ainda que encontre o desespero


Ninguém irá me adoecer

Ainda que encontre a ignorância


As provas que não aprovei

As contas que não acertei

Não me adoecerão


Os brilhos que não procurei

Os egos que não instiguei

Não me adoecerão


Os votos que não confirmei

Os louros que não exaltei

Não me adoecerão


As entregas que não ordenei

As esperas que não reclamei

Não me adoecerão


Ninguém irá me adoecer

Ainda que encontre o desprezo


Ninguém irá me adoecer

Ainda que encontre a incerteza


E todos os sonhos?

E todos os enganos?

Não ajudarei a adoecer a todos!


E todos os caminhos?

E todos os debates?

Não ajudarei a adoecer a todos!


Não me adoecerão!

Não me adoecerão!


Não me adoecerão!

Não me adoecerão!


14. Esparsos e Reunidos


Os meus versos são diversos

Controversos, modestos

Universos que talvez exploram


Os meus versos são dispersos

Submersos, manifestos

Reversos que talvez afloram


São esparsos, reunidos

Atrevidos, honestos

Convencidos que talvez amolam


São esparsos, reunidos

Repetidos, indigestos

Ressentidos que talvez pioram


Temas que não aturam?

Ideias que não costuram?


Pessoas que não perduram?

Formas que não seguram?


Esparsos e Reunidos

Esparsos e Reunidos


Os meus versos são complexos

Imersos, protestos

Adversos que talvez imploram


Os meus versos são adversos

Emersos, infestos

Tranversos que talvez ignoram


São esparsos, reunidos

Recolhidos, congestos

Oprimidos que talvez apavoram


São esparsos, reunidos

Combatidos, funestos

Preferidos que talvez valoram


Dilemas que não acabam?

Críticas que não desabam?


Palavras que não exalam?

Tempos que não abalam?


Esparsos e Reunidos

Esparsos e Reunidos


São versos esparsos e reunidos

Versos que não tem obrigação


São versos esparsos e reunidos

Versos que contêm consciência


É proibida a reprodução desta obra sem a devida citação/menção do autor.


Todos os direitos reservados.